Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Juro do cheque especial bate novo recorde

Taxa cobrada nesta linha de crédito subiu para 318,4% ao ano em julho; no rotativo do cartão de crédito, o juro registrou leve recuo, mas ainda é o mais caro do mercado: 470,7%

Fabrício de Castro e Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2016 | 11h05

A taxa de juros do cheque especial avançou de 315,7% para 318,4% ao ano de junho para julho, informou o Banco Central. O aumento levou os juros cobrados nesse tipo de empréstimo para um novo recorde desde o começo da série histórica, iniciada em julho de 1994.

Com isso, o volume de calotes no cheque especial voltou a subir, após a trégua vista no mês anterior. A inadimplência estava em 14,7% em junho e passou para 15,7% em julho.

No rotativo do cartão de crédito, a taxa de juros caiu 0,2 ponto porcentual. Com a baixa na margem, a taxa passou de 470,9% ao ano em junho para 470,7% ao ano em julho. O juro do rotativo é a taxa mais elevada desse segmento e também a mais alta entre todas as avaliadas pelo BC, batendo até mesmo a do cheque especial. Em junho, a taxa já havia mostrado um leve recuo, após marcar 471,5% em maio - a mais alta da série histórica iniciada em março de 2011.   

No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro subiu 2,3 pontos de junho para julho, passando de 149,5% ao ano para 151,8% ao ano. Para o crédito pessoal, recuou de 53,0% para 53,4% ao ano.

A taxa média de juros no crédito livre subiu de 52,2% ao ano em junho para 52,7% ao ano em julho. Em julho de 2015, essa taxa estava em 44,2% ao ano. Para pessoa física, a taxa média de juros no crédito livre passou de 71,4% para 71,9% ao ano, de junho para julho, enquanto para pessoa jurídica, foi de 30,3% para 30,4% ao ano no mesmo período.

Calotes aumentam e estoque cai. A inadimplência no País no segmento de recursos livres voltou a subir em julho a 5,7%, mês em que as concessões despencaram, retrato do esfriamento do mercado de crédito brasileiro em meio à recessão econômica e deterioração do mercado de trabalho.

No mês passado, sobre junho, a inadimplência avançou após a taxa ter caído em junho pela primeira vez em um ano, ficando em 5,6%. Em recursos direcionados, a inadimplência ficou estável em 1,4 por cento no período.

O BC mostrou ainda que as concessões de crédito recuaram fortemente no período, 9,2% no segmento de recursos livres, maior contração desde janeiro passado (-21,09%). Em julho de 2015, sobre o mês anterior, os empréstimos haviam caído 5,03%.

No segmento de recursos direcionados, as concessões desabaram 24,3% em julho passado sobre junho.

Segundo o BC, o estoque total de crédito no país, que inclui os recursos livres e direcionados, caiu 0,4% em julho sobre junho, a R$ 3,116 trilhões, ou 51,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 12 meses, o avanço foi de apenas 0,2%.

O BC vem apontando há meses o quadro de baixo crescimento do crédito em meio à recessão econômica, com bancos mais cautelosos para financiar e consumidores pouco estimulados a tomar empréstimos.

Para 2016, a expectativa do BC é de aumento de 1% no estoque geral de crédito, mas essa projeção deve ser revisada, de acordo com o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel.

(Com informações da Reuters)

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