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Juro do cheque especial em abril sobe para 226% ao ano, a maior taxa em quase 20 anos

Segundo dados do Banco Central, a taxa do cheque especial foi a mais elevada desde dezembro de 1995; no caso do cartão de crédito, o juro do rotativo atingiu a marca de 347,5% ao ano

Célia Froufe e Victor Martins, O Estado de S. Paulo

27 Maio 2015 | 10h49

BRASÍLIA - A taxa de juros cobrada no cheque especial avançou de 220,4% ao ano em março para 226% ao ano no em abril. Com isso, o juro dessa modalidade foi o mais alto desde dezembro de 1995, quando estava em 242,23% ao ano, segundo dados do Banco Central. 

No caso do cartão de crédito, o juro médio total cobrado subiu de 79,1% ao ano em março para 81,4% ao ano no mês passado. O juro do rotativo, a taxa mais elevada do crédito, atingiu a marca de 347,5% ao ano em abril ante 345,8% de março. No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro passou de 111,5% ao ano para 114,6% ao ano.

A taxa média de juros no crédito livre para pessoa física subiu para 56,1% em abril. Com essa alta, a taxa passa a ser a maior da série iniciada em março de 2011. Em março, ela havia sido de 54,4%. Para o crédito pessoal, a taxa total subiu para 48,4% em abril. No caso de consignado, a taxa passou para 26,9% de março para abril e, nas demais linhas, para 113,3%. No caso de aquisição de veículos para pessoas físicas, os juros foram de 24,6% em abril.

Para pessoa jurídica, houve elevação de 26,5% para 26,6% de março para abril. Na média entre as operações de crédito livre para pessoas físicas e jurídicas, a taxa subiu de 40,9% ao ano em março para 41,8% ao ano em abril, a maior da série. No primeiro quadrimestre deste ano, a taxa subiu 4,5 pontos porcentuais, já que em dezembro de 2014 estava em 37,3% ao ano. Em 12 meses, a alta é de 5,4 pp. 

A taxa média de juros no crédito total, que também inclui as operações direcionadas, subiu de 25,9% em março para 26,4% em abril. 

BC de olho no juro. O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou na terça-feira, 26, que as altas de juros do rotativo do cartão de crédito são algo que a instituição sempre acompanha e que "vai se debruçar". Atualmente a modalidade, que representa o valor que sobra depois do pagamento mínimo exigido pela operadora, é a que possui a maior taxa de juros do sistema. 

Tombini ressaltou que as taxas desse tipo são elevadas, mas ponderou que o Brasil possui um tipo de parcelamento que não existe em outros países, com o pagamento parcelado sem juros. Desse modo, a empresa recebe o valor no momento da compra e o consumidor paga parcelado à operadora do cartão.

Apesar dos comentários de Tombini, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, disse não ter informações sobre mudanças que a instituição poderá promover no segmento de cartão de crédito. 

Spread. O spread bancário médio no crédito livre - diferença entre a taxa de juros que os bancos cobram nos empréstimos e quanto remuneram o investidor na captação de recursos - subiu de 28,2 pontos porcentuais em março para 29,3 pp em abril. O spread médio da pessoa física no crédito livre passou de 41,4 pp para 43,3 pp. Para pessoa jurídica, o spread médio avançou de 14,1 pp para 14,5 pp no período. 

Inadimplência. A taxa de inadimplência no crédito livre ficou em 4,6% em abril ante 4,4% de março. Para pessoa física, passou de 5,2% para 5,3% na comparação mensal. Para as empresas, subiu de 3,7% para 3,9% de um mês para o outro. No cartão de crédito, avançou de 6,7% para 7,1% na mesma comparação. (Colaboraram Bernardo Caram e Rachel Gamarski)

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