Werther Santana|Estadão
Werther Santana|Estadão

Juro do rotativo do cartão de crédito atinge 439,5% ao ano em janeiro, diz BC

No caso do cheque especial, taxa avançou para 292,3% ao ano; taxa de inadimplência ficou em 5,4% e BC espera aumento no número de calotes

Célia Froufe e Bernardo Caram, O Estado de S.Paulo

24 Fevereiro 2016 | 11h55

BRASÍLIA - O juro do rotativo do cartão de crédito atingiu a marca de 439,5% ao ano em janeiro ante 431,4% de dezembro, uma elevação de 8,1 pontos porcentuais, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 24, pelo Banco Central. Essa taxa é a maior da série histórica do BC, iniciada em 2011. Um ano antes, a taxa estava em 334,6%. Em 12 meses, o incremento é de 104,9 pontos porcentuais. "O uso desse rotativo deve ser feito com cautela e por um prazo curto para não comprometer o orçamento da família", sugeriu o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

No caso do cheque especial, a taxa em janeiro subiu para 292,3% ao ano ante 287% de dezembro. Em 12 meses, a elevação é de 83,3 pontos. O juro dessa modalidade é a maior desde julho de 1994. Para o crédito pessoal, aumentou de 28,8% ao ano para 29,3% ao ano.

Para veículos, os juros subiram de 26,0% ao ano para 27,5% ao ano de dezembro para janeiro. Em janeiro de 2015 estava em 23,8%. A elevação no mês foi de 1,5 ponto porcentual (pp). Em 12 meses, a taxa apresenta alta de 3,7 ponto porcentual. 

Tulio Maciel afirmou que cresceu em janeiro o uso do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial. Segundo ele, tradicionalmente, as pessoas usam o 13º salário para reduzir esses débitos no fim do ano, voltando a aumentar em janeiro. Já o uso do cartão de crédito, após as compras de Natal, diminui.

A taxa média de juros no crédito livre subiu de 47,2% ao ano em dezembro para 49,4% ao ano em janeiro. Em janeiro de 2015, essa taxa estava em 39,1% ao ano. Para pessoa física, a taxa média de juros no crédito livre passou de 63,7% ao ano para 66,1% ao ano, de dezembro para janeiro, enquanto a para pessoa jurídica, subiu de 29,7% ao ano para 31,5% ao ano no mesmo período.

O spread médio - diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada pelos bancos ao consumidor final - da pessoa física no crédito livre passou de 48,0 pp para 50,3 pp de dezembro do ano passado para janeiro deste ano. Para pessoa jurídica, o spread médio avançou de 14,9 pp para 16,8 pp no período.

Inadimplência. A taxa de inadimplência no crédito livre ficou em 5,4% em janeiro. Ao longo do ano passado, o calote subiu de 4,4% para 5,3%. Para pessoa física, a taxa de inadimplência passou de 6,1% para 6,2% na comparação mensal. Para as empresas, subiu de 4,5% para 4,7% de um mês para o outro.

No cheque especial, o volume de calotes recuou. Estava em 18,1% em dezembro e atingiu 16,9% em janeiro. No caso de aquisição de veículos, o volume de calote subiu de 4,1% em dezembro para 4,2% em janeiro. No encerramento de 2014, estava em 3,9%. Já no cartão de crédito, avançou de 8,1% para 8,4% de dezembro de 2015 para janeiro de 2016. Em janeiro de 2014, estava em 6,7%. 

Segundo Tulio Maciel, a tendência para os próximos meses é de elevação do nível de calote. Esse movimento é comum, de acordo com ele, em períodos de retração econômica, como está ocorrendo agora. O técnico salientou que há uma elevação maior entre as Pessoas Jurídicas do que entre as famílias.

"A inadimplência de qualquer natureza é ruim para o sistema, mas é importante que o ritmo (de aumento) é lento e permite reação do sistema", enfatizou. Segundo ele, a alta do nível de calote tem sido de forma gradual ante queda verificada da atividade. "Em ambiente de retração da atividade, você tem a componente de maior restrição, que pode se reverter em aumento da inadimplência", disse.

Endividamento. O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro caiu de 45,8% em outubro para 45,6% em novembro. O cálculo do BC leva em conta o total das dívidas dividido pela renda no período de 12 meses e incorpora os dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (PNAD) contínua e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), ambas do IBGE. 

Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento apresentou uma queda em novembro, ficando em 26,5% da renda anual. Em outubro, estava em 26,8%.

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