Marcos Santos/USP Imagens
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Juro do rotativo do cartão de crédito cai pela 1ª vez desde junho

Ainda assim, taxa cobrada nessa modalidade, de 475,8% ao ano, continua a mais alta de todos os segmentos

Fabrício de Castro e Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2016 | 11h17

BRASÍLIA - O juro médio total cobrado no rotativo do cartão de crédito cedeu 3,9 pontos porcentuais de setembro para outubro, informou nesta quinta-feira, 24, o Banco Central. Com a baixa na margem, a taxa passou de 479,7% ao ano em setembro para 475,8% ao ano em outubro. 

O juro do rotativo é a taxa mais elevada desse segmento e também a mais alta entre todas as avaliadas pelo BC, batendo até mesmo a do cheque especial. Este recuo na margem foi o primeiro desde junho. 

A taxa média de juros no crédito livre subiu de 53,4% ao ano em setembro para 54% ao ano em outubro. Em outubro de 2015, essa taxa estava em 47,9% ao ano. Para pessoa física, a taxa média de juros no crédito livre passou de 73,2% para 73,7% ao ano, de setembro para outubro, enquanto para pessoa jurídica, foi de 29,8% para 30,4% ao ano no mesmo período.

Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, destaque para o cheque especial, cuja taxa avançou de 324,9% para 328,9% ao ano na mesma comparação. Com isso, o patamar de juros cobrados nesse tipo de empréstimo continua como o maior da série iniciada em julho de 1994. Para o crédito pessoal, passou de 53,8% para 54,1% ao ano.

Para veículos, os juros passaram de 26,1% ao ano para 25,8% ao ano, de setembro para outubro. Em outubro de 2015, a taxa estava em 25,9%. Em 12 meses, a taxa apresenta ligeiro recuo de 0,1 ponto porcentual e, no ano, há queda de 0,2 ponto porcentual.

A taxa média de juros no crédito total, que inclui também as operações direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES) subiu de 33,0% ao ano em setembro para 33,3% ao ano em outubro. Em outubro de 2015, estava em 30,5%.

Ganho dos bancos. O spread bancário médio - a margem de ganho entre o custo de captação e o juro ofertado ao consumidor - no crédito livre subiu de 41,2 pontos porcentuais em setembro para 42,2 pontos porcentuais em outubro. O spread médio da pessoa física no crédito livre passou de 60,7 para 61,7 pontos porcentuais na comparação mensal. Para pessoa jurídica, o spread médio avançou de 18,0 para 18,9 pontos porcentuais no período.

Inadimplência. A taxa de inadimplência no crédito livre ficou em 5,9% em outubro, mesmo porcentual de setembro. Em outubro de 2015, a taxa estava em 5,0%. Para pessoa física, a taxa de inadimplência ficou em 6,2% em outubro, também igual a setembro e ante 5,8% em outubro do ano passado. Para as empresas, ficou em 5,6%, ante 5,5% do mês anterior. Estava em 4,3% um ano antes.

Segundo o chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Renato Baldini, afirmou que as taxas de inadimplência, embora estáveis, permanecem em índices altos. Baldini afirmou, no entanto, que a expectativa do BC é que o quadro econômico siga melhorando, com avanços na área fiscal. "No futuro, a expectativa é de redução das taxas de juros e dos spreads", afirmou. 

No cheque especial, o volume de calotes seguiu estável em outubro, em 15,7%, apesar de os juros dessa modalidade se situarem na maior marca desde o início do Plano Real, em julho de 1994. No caso de aquisição de veículos, o volume de calote atingiu 4,7% em outubro ante 4,6% em setembro. No mesmo mês do ano passado, estava em 4,0%. Já no cartão de crédito, ficou em 8,1% ante 8,2% de setembro e 8,2% de outubro de 2015.

O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro caiu de 43,1% em agosto para 42,8% em setembro. Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento apresentou recuo em setembro, ficando em 24,2% da renda anual. Em agosto, estava em 24,4%.

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