Marcos Santos/USP Imagens
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Juro do rotativo do cartão de crédito explode em julho e alcança 331,5% ao ano

De forma geral, os juros bancários médios para pessoas físicas e empresas subiram no mês passado, em linha com o aumento da taxa Selic, fixada pelo Banco Central

Eduardo Rodrigues e Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2021 | 10h49

BRASÍLIA - O juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito subiu 4 pontos porcentuais de junho para julho e passou de 327,5% para 331,5% ao ano, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 27, pelo Banco Central.

O rotativo do cartão, juntamente com o cheque especial, é uma modalidade de crédito emergencial, muito acessada em momentos de dificuldades. É acionado por quem ou não pode pagar o valor total da fatura na data do vencimento, mas não quer ficar inadimplente, ou paga apenas o mínimo.

No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro passou de 164,5% para 163,6% ao ano. Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, a taxa passou de 61,4% para 62,0%.

Em abril de 2017, começou a valer a regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos. A intenção do governo com a nova regra era permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recuasse, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado.

No cheque especial das pessoas físicas, a taxa recuou de 125,6% ao ano em junho para 123,5% ao ano em julho. Nessa linha de crédito, o BC adotou um teto para os juros.

Desde 2018, os bancos estão oferecendo um parcelamento para dívidas no cheque especial. A opção vale para débitos superiores a R$ 200. Em janeiro de 2020, o BC passou a aplicar uma limitação dos juros do cheque especial, em 8% ao mês (151,82% ao ano).

Juros sobem de forma geral

De forma geral, os juros bancários médios com recursos livres (com exceção do imobiliário, rural e BNDES) de pessoas físicas e empresas, subiram de 28,4% ao ano, em junho, para 28,9% ao ano no mês passado - uma alta de 0,5 ponto porcentual.

O aumento está em linha com o comportamento da taxa Selic, fixada pelo BC. Em março, na primeira elevação em quase seis anos, a taxa básica da economia foi aumentada pelo BC para 2,75% ao ano. Em maio, o Copom elevou o juro para 3,5% ao ano e, em junho, a taxa avançou para 4,25% ao ano. Em agosto, a taxa subiu para 5,25% ao ano.

Nas operações para pessoas físicas, o juro bancário médio passou de 39,9% ao ano, em junho para 39,8% ao ano em julho. Considerando só as empresas, a taxa média de juros bancários passou de 14,5% ao ano para 15,4% ao ano no mesmo período.

De acordo com o BC, o chamado spread bancário médio com recursos livres passou de 21,5 pontos porcentuais, em junho, para 21,7 pontos porcentuais em julho. O spread é a diferença entre quanto os bancos pagam pelos recursos e quanto cobram dos clientes.

O spread bancário é composto pelo lucro dos bancos, taxa de inadimplência, custos administrativos, depósitos compulsórios (que são mantidos no Banco Central) e tributos cobrados pelo governo federal, entre outros.

Endividamento bate recorde

O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro renovou o patamar recorde e ficou em 59,2% em maio, ante 58,3% em abril, também informou O BC. Isso significa que, para cada R$ 100 que uma família recebeu no último ano, ela já tem uma dívida contratada de quase R$ 60.

Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento ficou em 36,5% em maio, ante 35,9% em abril. O cálculo do BC leva em conta o total das dívidas dividido pela renda no período de 12 meses. Além disso, incorpora os dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (Pnad) contínua e da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), ambas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

Segundo o BC, o comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu 30,6% em maio, ante 30,0% em abril. Ou seja, para cada R$ 100 que recebeu por mês, R$ 30 teve que ir para pagar as parcelas dos empréstimos. Descontados os empréstimos imobiliários, o comprometimento da renda ficou em 28,0% em maio, ante 27,5% em abril.

Mesmo caro, crédito aumenta

O volume total e as novas concessões de empréstimos bancários aumentaram em julho. O volume total do crédito oferecido pelos bancos subiu 1,2% no mês passado, para R$ 4,265 trilhões, na comparação com R$ 4,215 trilhões em junho.

Houve expansão de 0,8% na carteira de pessoas jurídicas (com saldo de R$ 1,83 trilhão) e aumento de 1,5% na de pessoas físicas (para R$ 2,435 trilhões).

Ainda segundo o BC, as novas concessões de empréstimos cresceram 3,84% em julho, somando R$ 426 bilhões no período, o maior patamar da série histórica, iniciada em março de 2011.

O cálculo foi feito após ajuste sazonal, uma espécie de "compensação" para comparar períodos diferentes. Houve uma alta de 4,7% nas concessões para empresas e de 1,8% em pessoas físicas.

Para todo este ano, o Banco Central estima uma expansão de 11,1% no crédito bancário. Em 2020, impulsionado por linhas emergenciais de crédito para o combate aos efeitos da pandemia, o crédito bancário teve alta de 15,5%.

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