Marcos Santos/USP Imagens
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Juro do rotativo do cartão de crédito sobe para 484,6% ao ano e bate novo recorde

Governo quer mudar regras do rotativo para que, após um mês em atraso, o consumidor tenha sua dívida transferida para uma linha mais barata

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2017 | 11h04

O juro médio total cobrado no rotativo do cartão de crédito subiu 2,4 pontos porcentuais de novembro para dezembro do ano passado, informou o Banco Central. Com a alta na margem, a taxa passou de 482,2% ao ano em novembro para 484,6% ao ano em dezembro. Esta é a maior taxa da série histórica do BC para o rotativo do cartão de crédito, iniciada em março de 2011.  Um ano antes, o juro da modalidade era 53,2 pontos porcentuais menor (431,4%).

O juro do rotativo é a taxa mais elevada desse segmento e também a mais alta entre todas as avaliadas pelo BC, batendo até mesmo a do cheque especial. A taxa desta última caiu de 330,6% para 328,6% ao ano na comparação mensal.

No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro caiu 1,6 ponto porcentual de novembro para dezembro, passando de 155,4% ao ano para 153,8% ao ano. 

Em dezembro, o presidente Michel Temer e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciaram que as regras do crédito rotativo vão mudar. A intenção é fazer com que, após um mês no rotativo, o cliente tenha sua dívida automaticamente transferida para o parcelado, que possui taxas de juros menores.

A mudança vinha sendo formulada pelo Banco Central este ano e precisará ser aprovada no Conselho Monetário Nacional (CMN). O conselho reúne-se nesta quinta-feira, 16.

Em um momento de queda disseminada nas taxas de juros das diversas modalidades de crédito, o chefe-adjunto do departamento econômico do BC, Renato Baldini, avaliou ser difícil identificar os determinantes de aumento da taxa de juros e dos spreads do rotativo do cartão de crédito em dezembro.

"A taxa do rotativo reflete de alguma maneira um conjunto de operações complexas e vários fatores são importantes para determiná-la, como a inadimplência. O histórico de pagamento dos tomadores também tem impacto nessas taxas", citou. "É importante lembrar que há alguma defasagem nos efeitos da inadimplência sobre as taxas de juros", completou.

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