Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Juro do rotativo do cartão de crédito vai a 372% ao ano, diz BC

Somente entre maio e junho, houve uma elevação de 11,5 pontos porcentuais no juro do cartão; taxa do cheque especial bate 241,3%

Célia Froufe e Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

30 de julho de 2015 | 11h19

Atualizado às 12h19

BRASÍLIA - O juro cobrado no rotativo do cartão de crédito atingiu a marca de 372% ao ano em junho ante 360,5% em maio, uma elevação de 11,5 pontos porcentuais, conforme informou nesta quinta-feira, 30, o Banco Central. 

O juro do rotativo é a taxa mais elevada do segmento de crédito livre e também a mais alta entre todas as avaliadas pelo BC, batendo até mesmo a do cheque especial. No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro aumentou 2,3 pontos de maio para junho, passando de 115,9% ao ano para 118,2% ao ano. 

A taxa do cheque especial, por sua vez, subiu de 232% ao ano em maio para 241,3% ao ano no mês passado. Ao longo de 2015, as taxas cobradas por uma das linhas mais caras que o consumidor pode acessar - perde apenas para o rotativo do cartão de crédito - subiram 40,3 pontos porcentuais, já que em dezembro de 2014 o juro médio dessa modalidade estava em 201% ao ano.

Selic. A Selic, referência para as demais taxas de juros, subiu 7 pontos porcentuais desde abril de 2013. No mesmo período, o custo para quem toma empréstimo aumentou 12,9 pontos porcentuais. Em março de 2013, a Selic estava em 7,25% ao ano e chegou a 14,25% ao ano, o maior nível desde agosto de 2006. Já o juro médio bancário passou nesses pouco mais de dois anos de 30,60% para 43,47% ao ano. 

A taxa média de juros no crédito livre subiu de 42,5% ao ano em maio para 43,5% ao ano em junho. Com essa alta, a taxa volta a ser a maior taxa da série iniciada em março de 2011. Desde o início do ano, em todos os meses a taxa de juros tem sido recorde e batido a do mês anterior.

No primeiro semestre deste ano, a taxa subiu 6,2 pontos porcentuais, já que em dezembro de 2014 estava em 37,3% ao ano. Em 12 meses até junho, a alta é de 6,7 pontos porcentuais. Para pessoa física, a taxa de juros no crédito livre passou de 57,3% em maio para 58,6% em junho, também a maior da série histórica. Para pessoa jurídica, houve elevação de 26,9% para 27,5% de maio para junho.

Já para o crédito pessoal, a taxa total caiu de 48,2% em maio para 48,4% em junho. No caso de consignado, a taxa ficou estável em 27,3% e, nas demais linhas, passou de 111,3% para 111,9%. 

No caso de aquisição de veículos para pessoas físicas, os juros passaram de 24,8% para 24,7% de um mês para outro.

A taxa média de juros no crédito total, que também inclui as operações direcionadas, subiu de 27,1% em maio para 27,6% em junho.

Inadimplência. A taxa de inadimplência no crédito livre permaneceu em 4,7% de maio para junho, segundo o Banco Central. Para pessoa física, também seguiu em 5,4% na comparação mensal e, para as empresas, permaneceu em 3,9% de um mês para o outro. Desde o início do ano, verifica-se uma certa estabilidade no volume de calote ao sistema financeiro.

A inadimplência do crédito direcionado caiu de 1,2% em maio para 1,1% em junho. O dado que considera crédito livre mais direcionado mostra inadimplência de 2,9% em junho, ante 3,0% em maio. 

No crédito livre para pessoa física, a inadimplência no crédito pessoal passou de 3,8% em maio para 3,6% em junho. No cheque especial, permaneceu em 14,3% na mesma comparação mensal. 

Na aquisição de veículos, prosseguiu em 3,9% em junho, a mesma taxa verificada desde o primeiro mês deste ano. No cartão de crédito, no entanto, avançou de 7,3% para 7,7% na mesma comparação.

Spread bancário. O spread bancário médio no crédito livre subiu de 29,8 pontos porcentuais em maio para 30,7 pp em junho, conforme informou há pouco o Banco Central. Trata-se do maior nível da série histórica iniciada em março de 2011. O spread é a diferença entre os juros que o banco cobra ao emprestar e a taxa que ele mesmo paga ao captar dinheiro.

O spread médio da pessoa física no crédito livre passou de 44,4 pp para 45,5 pp. Para pessoa jurídica, o spread médio subiu de 14,5 pp para 15,0 pp no período. 

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