Thiago Teixeira/Estadão
Thiago Teixeira/Estadão

Juro do rotativo do cartão volta a subir e chega a 274% em agosto

Nos casos em que não há pagamento mínimo da fatura, juro chega a 291% ao ano, mostra nota de crédito do Banco Central

Fabrício de Castro e Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2018 | 11h16

O juro médio total cobrado no rotativo do cartão de crédito subiu 2,6 pontos porcentuais de julho para agosto, informou  o Banco Central. Com isso, a taxa passou de 271,4% para 274,0% ao ano, após registrar quatro quedas consecutivas. 

 

O juro do rotativo é uma das taxas mais elevadas entre as avaliadas pelo BC. Dentro desta rubrica, a taxa da modalidade rotativo regular passou de 252,1% para 250,3% ao ano de julho para agosto. Neste caso, são consideradas as operações com cartão rotativo em que houve o pagamento mínimo da fatura. 

 

Já a taxa de juros da modalidade rotativo não regular passou de 285,2% para 291,3% ao ano. O rotativo não regular inclui as operações nas quais o pagamento mínimo da fatura não foi realizado.

 

No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro passou de 167,1% para 166,7% ao ano.

Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, a taxa passou de 61,2% para 60,6% de julho para agosto.  

Em abril de 2017, começou a valer a nova regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos. A intenção do governo com a nova regra era permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recuasse, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado. 

Taxa do cheque especial é de 303,2% ao ano

Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, destaque para o cheque especial, cuja taxa seguiu em 303,2% ao ano. No crédito pessoal, a taxa média subiu de 44,6% para 44,9% ao ano.

Desde o início de julho, os bancos estão oferecendo um parcelamento para dívidas no cheque especial. A opção vale para débitos superiores a R$ 200. A expectativa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) é de que essa migração do cheque especial para linhas mais baratas acelere a tendência de queda do juro cobrado ao consumidor.

Os dados divulgados hoje pelo BC mostraram ainda que, para aquisição de veículos, os juros médios recuaram ligeiramente, de 22,3% em julho para 22,2% em agosto.

A taxa média de juros no crédito livre recuou ligeiramente, de 38,1% ao ano em julho para 38,0% ao ano em agosto, informou há pouco o Banco Central. Em agosto de 2017, essa taxa média estava em 45,4% ao ano. Levando-se em conta todas as operações livres e direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES), a taxa média de todo o mercado seguiu em 24,5% em agosto. Um ano antes, em agosto de 2017, estava em 28,3%.

Já o Indicador de Custo de Crédito (ICC) recuou de 20,9% para 20,8% entre julho e agosto. O porcentual reflete o volume de juros pagos, em reais, por consumidores e empresas no mês, considerando todo o estoque de operações, dividido pelo próprio estoque. Na prática, o indicador reflete a taxa de juros média efetivamente paga pelo brasileiro nas operações de crédito contratadas no passado e ainda em andamento.

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