Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Juro do rotativo do cartão de crédito sobe 13 pontos e chega a 360,6% ao ano

Taxa é recorde e a mais elevada entre as modalidades pesquisadas pelo BC; juro do cheque especial subiu para 232% ao ano

Célia Froufe e Victor Martins, O Estado de S. Paulo

23 de junho de 2015 | 11h10

Atualizado às 14h

BRASÍLIA - O juro do rotativo do cartão de crédito atingiu a marca de 360,6% ao ano em maio, ante 347,5% em abril, uma elevação de 13,1 pontos porcentuais. A taxa é recorde e também a mais alta entre todas as avaliadas pelo Banco Central, que divulgou dados de crédito nesta terça-feira.

Entre as principais linhas de crédito livre para pessoa física, também tem destaque o cheque especial, cuja taxa subiu de 226% ao ano em abril para 232% no mês passado - também um recorde. Ao longo de 2015, as taxas cobradas subiram 31 pontos porcentuais.

Já a taxa média de juros no crédito livre subiu de 41,8% ao ano em abril para 42,5% em maio. Com essa alta, a taxa volta a ser a maior da série iniciada em março de 2011. Desde o início do ano, em todos os meses a taxa de juros do crédito livre tem sido recorde e batido a do mês anterior. Nos primeiros cinco meses deste ano, a taxa subiu 5,2 pontos porcentuais. Em 12 meses, a alta é de 5,9 pontos.

Para pessoa física, a taxa de juros no crédito livre passou de 56,1% em abril para 57,3% em maio, também a maior da série histórica. Já para pessoa jurídica, houve alta de 26,6% para 26,9% de abril para maio.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, os ajustes pelos quais a economia vem passando, além do menor ritmo da atividade econômica, têm afetado o ritmo do crédito no País. 

"O comportamento do mercado de crédito segue o ajuste macroeconômico em curso", disse. Segundo ele, há uma maior restrição ao crédito, tanto da oferta quanto na demanda.   

Maciel explicou ainda que para as empresas, nove modalidades de crédito apresentaram retração e oito avanço. As que cresceram foram as que estavam associadas ao câmbio, como ACC (+3,8% no mês), financiamento de importações (+2,6%) e repasse externo (+5,2%). 

"O crescimento do crédito mostra arrefecimento", constatou. Maciel registrou que o crescimento moderado do mercado de crédito ocorre em um ambiente de elevação da taxa básica de juros, a Selic. Atualmente, essa taxa está em 13,75% ao ano, após ter sofrido elevações contínuas desde outubro do ano passado, logo após a definição da eleição presidencial.  

O técnico lembrou que maio costuma ser um mês melhor para comércio, com a comemoração do Dia das Mães, o que afeta as operações de cartão de crédito à vista. Para ele, no entanto, a tendência é de desaceleração do crédito direcionado, principalmente às empresas. 

"Isso se deve a uma queda no volume de concessões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)", disse.  

O movimento do câmbio, de acordo com o chefe de Departamento, afetou os dados de financiamento no mês passado, já que a desvalorização contribuiu para essa reação na margem no crédito, segundo ele.  

Crédito imobiliário. Maciel comentou também que o crédito para setor imobiliário, carro chefe do segmento direcionado, mantém a tendência vista desde 2010, de moderação ano a ano, mas que segue com taxas expressivas de crescimento, acima de 20% na base de 12 meses. 

Ainda ao traçar um quadro geral para o mercado de crédito, ele salientou que, no caso da inadimplência, verificam-se taxas praticamente estáveis, com uma reação na margem no caso de crédito livre.   

 

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