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'Juro é determinado por preços, não por promessas', diz economista do Santander

Em regime de metas de inflação, vontade política não muda choques de preço; governo deveria se voltar ao centro da meta

Entrevista com

Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2013 | 02h15

O economista-chefe do banco Santander, Maurício Molan, prevê crescimento de 2% do PIB em 2014, reflexo da alta dos juros neste ano. Uma tolerância com a inflação persistente acima do centro da meta em anos anteriores pode ter ajudado. A Selic em 10% ao ano, para ele, não deve afetar as eleições, que levam em conta a melhora em renda e emprego.

Vamos terminar 2013 com juros nominais de dois dígitos e reais a 4%, ao contrário do prometido. O que isso representa?

Que, se existe uma política de meta para inflação, o juro vai ser determinado pelo comportamento de preços, não por promessa ou vontade política.

Foi um planejamento errado?

Não. Dois fatores não eram esperados: a sustentação dos preços dos alimentos num patamar elevado e a depreciação cambial mais forte. Mas é preciso considerar que, nos últimos anos, houve uma certa tolerância em relação à inflação longe da meta dos 4,5%, ou seja, isso leva a conclusão de que a política monetária poderia ter sido sim conduzida de outra forma ao longo do período. A avaliação a posteriori entretanto é mais fácil de fazer.

O sr. se reuniu com o ministro Mantega e outros economistas. Qual sua percepção?

O que tenho percebido a partir dos contatos com formadores de política é que o governo está preocupado com a incerteza fiscal gerada pelos resultados fiscais ruins. O desejo é sinalizar que as metas vão ser cumpridas e não há intenção de afrouxar objetivos fiscais.

O governo vai cumprir a meta?

O governo central vai cumprir a meta dele. Principalmente porque existe possibilidade grande de adesão maciça ao Refis e o resultado das concessões. Acredito que governo federal cumpre 1,5% e Estados e municípios fazem 0,3% 0,4%. Termina ao redor de 2%.

Concorda que se deva tirar estados e municípios da conta?

Parece que o governo está tentando aumentar a credibilidade nas promessas que faz, dizendo "olha, é muito melhor reconhecer a redução do superávit do que recorrer a artifícios contábeis ou a receitas não recorrentes". Mas tem o desafio de reputação porque parte de um não cumprimento.

Em termos práticos, o que significa essa redução?

Já temos uma redução de superávit. Ele oscilou em 4% durante muito tempo e talvez agora fique abaixo de 2%. A qualidade também piorou porque está cada vez mais dependendo de receitas não recorrentes. Se parar por aí, não tem problema.

Qual a expectativa para 2014?

Houve perda de competitividade e de credibilidade fiscal que precisa ser recuperada por aperto monetário e fiscal. As condições globais já não são tão favoráveis como nos últimos dez anos e o País precisa fazer ajuste e vai demorar um pouco mais para chegar no crescimento de 4% que tínhamos. Mas vamos crescer 2%.

Isso afeta as condições para as eleições?

Acredito que não. Ainda que o crescimento frustre e se perceba que poderia ser melhor, não haverá grande impacto em termos de emprego e renda.

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