Juro mantém dólar em baixa em agosto, mas sem força

O aumento dos juros no Brasil devemanter o dólar abaixo de 1,60 real em agosto, mas a tendênciade baixa da moeda não deve repetir a intensidade de ciclosanteriores, disseram analistas nesta quinta-feira. Em julho, amoeda norte-americana teve queda de 2,13 por cento. "O viés, realmente, é de apreciação (do real)... Mas o realnão tem muito fôlego", disse Roberto Padovani, economista-chefedo banco WestLB. A alta dos juros é a principal razão apontada para o recuodo dólar, que fechou esta quinta-feira a 1,563 real. Nasúltimas três reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom),a Selic foi elevada de 11,25 por cento para 13 por cento ao anocomo parte do combate à alta da inflação. Com o juro maior, aumenta a remuneração dos investimentosem renda fixa no Brasil, o que atrai estrangeiros para o país. Segundo a equipe de estratégia global em câmbio do MerrillLynch, as operações de carry trade --nas quais os investidorestomam dinheiro a juros baixos no exterior e aplicam nos jurosaltos do Brasil-- devem continuar a manter o real valorizado nosemestre. "A atratividade da taxa é fantástica", disse Marcelo Voss,economista-chefe da corretora Liquidez. Esse efeito sobre o câmbio pode estar ocorrendo mesmo com asaída de dólares do país, disse Sidnei Nehme, diretor-executivoda NGO Corretora. Para ele, se essas operações continuarem amostrar força, o dólar pode seguir rumo a 1,50 real. OLHO NAS CONTAS EXTERNAS Mas a deterioração das contas externas deve, mais à frente,frear a desvalorização do dólar. No primeiro semestre, o Brasilteve déficit de 17,4 bilhões de dólares nas transaçõescorrentes, recorde para o período, com o aumento das remessasde lucros e dividendos. E "no curto prazo há o fortalecimento do dólar frente àsoutras moedas", completou Padovani, em referência à recuperaçãoda divisa no último mês em meio aos sinais de que a economiados Estados Unidos pode ter evitado uma recessão. "Resumindo: o câmbio fica onde está, só um pouco para baixono próximo mês", disse o economista. Para os analistas doMerrill Lynch, o dólar chega ao final de setembro a 1,55 real. Nesta quinta-feira, o dólar registrou uma oscilaçãopositiva de 0,06 por cento. A sessão foi marcada por ajustestécnicos em meio à liquidação de contratos futuros emvencimento, mas a queda das bolsas de valores no exteriortambém interferiu nos negócios.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

31 de julho de 2008 | 16h38

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