André Dusek/Estadão
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Juro médio cai em fevereiro, mas taxa do cheque especial sobe

Taxa média de juros no crédito livre caiu de 28,5% ao ano em janeiro para 28,1% ao ano em fevereiro; no cheque especial, taxa passou de 120,3% ao ano para 124,9% ao ano

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2021 | 10h47

BRASÍLIA - A taxa média de juros no crédito livre caiu de 28,5% ao ano em janeiro para 28,1% ao ano em fevereiro, informou nesta segunda-feira, 29, o Banco Central. Em fevereiro de 2020, essa taxa estava em 34,1% ao ano.

Os números são influenciados pelos efeitos da pandemia, que colocou em isolamento social boa parte da população e reduziu a atividade das empresas, em especial nos meses de março e abril do ano passado. Em meio à carência de recursos, famílias e empresas aumentaram a demanda por algumas linhas de crédito nos bancos ao longo de 2020. 

Para as pessoas físicas, a taxa média de juros no crédito livre subiu de 39,5% para 40,1% ao ano de janeiro para fevereiro, enquanto para as pessoas jurídicas caiu de 15,2% para 13,8% ao ano.

Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, destaque para o cheque especial, cuja taxa passou de 120,3% ao ano para 124,9% ao ano de janeiro para fevereiro. Como comparação, no crédito pessoal, a taxa permaneceu em 33,2% ao ano.

Desde janeiro de 2018, os bancos estão oferecendo um parcelamento para dívidas no cheque especial. A opção vale para débitos superiores a R$ 200. Desde 6 de janeiro de 2020, o BC aplica uma limitação dos juros do cheque especial em 8% ao ano (151,82% ao ano).

Além da limitação do juro, os dados de hoje refletem uma revisão realizada na série histórica do BC. De acordo com a autarquia, os números passaram a considerar o fato de alguns bancos cobrarem juro no cheque especial apenas após dez dias de atraso no pagamento da fatura. Antes, era considerado todo o período de atraso. Esta mudança fez com que o nível do juro no cheque especial, na nova série histórica, fosse menor em anos anteriores.

Os dados divulgados hoje pelo Banco Central mostraram ainda que, para aquisição de veículos, os juros foram de 20,2% ao ano em janeiro para 20,0% em fevereiro.

A taxa média de juros no crédito total, que inclui operações livres e direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES), foi de 20,1% ao ano em janeiro para 19,8% ao ano em fevereiro. Em fevereiro de 2020, estava em 23,0%. 

Juro do cartão de crédito também cai em fevereiro

Com as famílias em dificuldades para fechar as contas em meio ao recrudescimento da pandemia de covid-19, o juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito caiu 2,3 pontos porcentuais de janeiro para fevereiro. A taxa passou de 329,0% para 326,7% ao ano.

O rotativo do cartão, juntamente com o cheque especial, é uma modalidade de crédito emergencial, muito acessada em momentos de dificuldades. O juro do rotativo é uma das taxas mais elevadas entre as avaliadas pelo BC. Dentro desta rubrica, a taxa da modalidade rotativo regular passou de 310,9% para 295,0% ao ano de janeiro para fevereiro. Neste caso, são consideradas as operações com cartão rotativo em que houve o pagamento mínimo da fatura.

Já a taxa de juros da modalidade rotativo não regular passou de 342,2% para 352,1% ao ano. O rotativo não regular inclui as operações nas quais o pagamento mínimo da fatura não foi realizado.

No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro passou de 161,5% para 167,1% ao ano. Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, a taxa passou de 60,8% para 63,1%.

Em abril de 2017, começou a valer a regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos. A intenção do governo com a nova regra era permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recuasse, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado. 

Depois de estabilidade no início do ano, crédito volta a crescer

O volume total de crédito ofertado pelas instituições financeiras teve um aumento de 0,7% no mês passado, para R$ 4,046 trilhões. Em janeiro, o volume total do crédito bancário em mercado estava em R$ 4,018 trilhões.

O crédito livre a pessoas jurídicas alcançou R$ 1,1 trilhão, uma alta de 1,2% no mês passado, com destaque para as modalidades de desconto de duplicatas e recebíveis, antecipação de faturas de cartão, aquisição de veículos, ACC e financiamento a exportações).

Para as pessoas físicas, o crédito totalizou R$1,2 trilhão em mercado em fevereiro, com aumento de 0,7% no mês. "O crescimento no mês reflete principalmente o aumento observado nas modalidades de crédito pessoal (consignado e não consignado), enquanto, em doze meses, destaque também para as modalidades aquisição de veículos e composição de dívidas", informou o BC.

A taxa de inadimplência média registrada pelos bancos nas operações de crédito registrou aumento em fevereiro, para 2,3%, na comparação com 2,1% em janeiro. Nas operações com pessoas físicas, a inadimplência subiu de 2,9% para 3% no mês passado e, no caso das empresas, avançou de 1,2% para 1,4%.

Em doze meses até fevereiro, segundo o Banco Central, o volume de crédito bancário registrou aumento de 16,1%, o que representa relativa estabilidade na comparação com janeiro — quando o ritmo de expansão estava em 16%.

Para todo este ano, porém, o Banco Central estima forte desaceleração no crédito bancário. Segundo informou a instituição na semana passada, os empréstimos bancários devem registrar uma expansão de 8% em 2021. Em 2020, o crédito bancário cresceu 15,5%. 

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