Juro médio chega a 28,4% em setembro, o maior desde maio de 2012

Para o consumidor pessoa física, taxa média chegou a 37,2% no mês; já para as empresas, ficou em 20,7%, considerando recursos do crédito livre

Eduardo Cucolo e Célia Froufe, Agência Estado

29 de outubro de 2013 | 10h56

BRASÍLIA - O ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, iniciado em abril desde ano, já reflete no aumento do juro médio cobrado do consumidor e de empresas, segundo os dados do Banco Central (BC) divulgados nesta terça-feira, 29.

A taxa média de juros no crédito livre subiu para 28,4% ao ano em setembro, antes 28% em agosto. Essa é a maior taxa desde maio de 2012, quando estava em 28,5% ao ano. 

Para a pessoa física, a taxa média de juros no crédito livre passou de 36,5% ao ano para 37,2% ao ano. Para a pessoa jurídica, avançou de 20,6% ao ano para 20,7% ao ano na mesma comparação. 

De acordo com o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, os juros vêm subindo de forma gradativa nos últimos meses, o que já era esperado. Mas segundo ele, em setembro o movimento foi influenciado também pela greve dos bancários, que começou na segunda quinzena do mês. "É um período em que algumas linhas que têm um acesso mais direto, como o cheque especial, podem ter crescido um pouco mais, devido à restrição de acesso às agências."

O juro do cheque especial foi um dos que mais subiu no mês - de 138,9% ao ano para 143,3% ao ano. Para o crédito pessoal, o avanço foi de 39,7% ao ano para 40,4% ao ano. Para veículos, os juros subiram de 20,9% ao ano para 21,2% ao ano.

Em sua última reunião, no início de outubro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros da economia, a Selic, pela quinta vez seguida. Com a alta de 0,5 ponto porcentual, para 9,5% ao ano, o Brasil voltou a ter o maior juro real do mundo (descontada a inflação), de 3,5%. A expectativa do BC é de que o atual ciclo de elevação da taxa básica de juros contribua para colocar a inflação em declínio.

Crédito total. A taxa média de juros no crédito total, que inclui também as operações direcionadas, subiu de 19,3% ao ano em agosto para 19,5% ao ano em setembro. O juro médio do crédito direcionado passou de 7,2% ao ano para 7,3% ao ano na mesma comparação. 

Inadimplência. A taxa de inadimplência no crédito livre ficou estável em setembro ante agosto. Os atrasos acima de 90 dias no crédito livre ficaram em 5,1% pelo segundo mês seguido. Para pessoa física, se manteve em 7,0%. Para as empresas, o porcentual continuou em 3,4%. 

Já a inadimplência do crédito direcionado subiu de 1,0% em agosto para 1,1% em setembro. O dado que considera crédito livre mais direcionado mostra inadimplência de 3,3% em setembro, ante 3,2% em agosto. No crédito livre para pessoa física, a inadimplência no crédito pessoal se manteve em 4,2%. No cheque especial, subiu de 8,4% para 8,5%. Na aquisição de veículos, caiu de 5,8% para 5,7%. No cartão de crédito, recuou de 25,1% para 24,6%, puxa da pela redução de 0,7 ponto porcentual no rotativo, cujos atrasos representam 33,9%.

Spread bancário. A diferença entre o custo de captação de dinheiro pelo banco e o juro cobrado nos empréstimos a pessoa física e jurídica, o chamado spread bancário, continuou em trajetória de alta em setembro.

O spread médio no crédito livre passou de 17,6 pontos porcentuais em agosto para 17,8 pontos porcentuais em setembro. Com isso, o spread se aproxima novamente do patamar verificado em abril deste ano, quando estava em 17,9.

O spread médio da pessoa física no crédito livre foi o que mais puxou o indicador ao subir de 25,3 pontos porcentuais em agosto para 25,8 no mês passado. Para pessoa jurídica, no entanto, o spread médio caiu no período: de 10,9 pontos porcentuais para 10,8.

 

Tudo o que sabemos sobre:
Bctaxa de juros

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.