Juro menor não reduzirá lucro, diz Bradesco

Para banco, alta do volume de crédito compensará queda de taxas; lucro sobe 3,4% no 1.º trimestre

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2012 | 03h05

Primeiro banco a divulgar os resultados do primeiro trimestre, o Bradesco afirma que a queda nas taxas de juros anunciada na semana passada em várias modalidades de crédito não deverá ter impacto negativo sobre as margens de lucro. A lógica é a de que a redução dos ganhos será compensada pelo provável aumento do volume de empréstimos.

"Com isso, acreditamos que o efeito da queda dos juros sobre os resultados será neutro", disse o diretor executivo do Bradesco, Luiz Carlos Angelotti. O segundo maior banco privado brasileiro lucrou R$ 2,793 bilhões nos três primeiros meses de 2012, o que representou uma alta de 3,4% sobre igual período do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre de 2011 houve aumento de 2,5%. O retorno sobre o patrimônio líquido foi de 21,4%, queda de 2,8 pontos porcentuais em 12 meses.

Puxado pelas micro, pequenas e médias empresas, onde subiu de 3,9% para 4,2%, o índice de inadimplência (atrasos superiores a 90 dias) alcançou 4,1% do total da carteira de crédito do banco no primeiro trimestre.

O número significou alta tanto em relação aos 3,9% do quarto trimestre de 2011 quanto ante os 3,6% do primeiro trimestre do ano passado. No segmento de pessoas físicas, o índice subiu de 6,1% para 6,2%. Nas grandes corporações, ficou estável: 0,4%.

Ainda assim, Angelotti disse que há espaço para a expansão dos financiamentos - base para dar suporte à aposta na queda do juro aos clientes. "Nos últimos cinco, seis anos, vimos uma elevação do prazo médio dos empréstimos", afirmou. "Saímos da faixa de 320 dias para 600 dias." A tendência, segundo ele, é que esse movimento continue.

Com prazo maior, o valor da prestação diminui. Angelotti observou que o índice de endividamento da população brasileira "não preocupa". "É um indicador que vem estável nos últimos anos e deve seguir assim."

Dados do Banco Central (BC) mostram que, em novembro, o endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro chegou ao recorde de 42,51% da renda acumulada nos 12 meses anteriores. "Não acreditamos que esse nível represente algum risco", disse o executivo.

Equação. O analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu, avalia que a lógica do Bradesco faz sentido. Desde que, na prática, a equação pensada pelo banco funcione: juro mais baixo com prazos mais longos. "Nos Estados Unidos, é exatamente assim que acontece", comparou.

Os investidores têm se mostrado receosos com a política dos bancos privados de seguir os públicos na redução das taxas de juros. As ações do Bradesco, por exemplo, acumulam queda de 4,6% em abril e de 7,10% nos últimos 30 dias. Ontem, o resultado do primeiro trimestre agradou e os papéis fecharam estáveis.

Embora tenha sido anunciado no meio da semana passada, o barateamento das linhas de crédito no Bradesco passou a valer apenas ontem. Por isso, o banco ainda não dispunha de um balanço da reação dos clientes.

No primeiro trimestre, a carteira de crédito total da instituição avançou 14,6% na comparação com igual período do ano passado, para R$ 350,8 bilhões.

Angelotti disse que o banco deve conseguir cumprir a meta para 2012, de expandir os empréstimos totais (incluindo empresas e pessoas físicas) em um intervalo de 18% a 22%.

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