Juro menor nos EUA pode influenciar decisão do Copom

Nos Estados Unidos, analistas apostam que juro pode cair ainda mais

Jacqueline Farid, da Agência Estado,

22 de janeiro de 2008 | 14h07

O Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se a partir desta terça e a decisão sobre a taxa básica de juros (Selic) será anunciada na quarta-feira. De acordo com o economista Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor de política monetária do Banco Central, a queda da taxa de juros anunciada nos Estados Unidos garante um cenário confortável para a inflação no Brasil e elimina a possibilidade de alta da Selic no primeiro semestre. "Esse corte de juros nos Estados Unidos, com manutenção da Selic por aqui, manterá o dólar em patamar reduzido e a inflação sob controle", afirmou.   Veja também:  Fed anuncia corte emergencial em juro dos EUA, para 3,5%  Turbulência nos mercados: entenda o nervosismo de hoje   Mercados têm reação positiva ao corte do juro nos EUA   Os efeitos da crise do setor imobiliário dos EUA      O corte inesperado de 0,75 ponto porcentual na taxa básica de juros norte-americana é a maior redução promovida pelo Banco Central dos Estados Unidos (Fed) desde 1990, quando a política de juros passou a ser usada no controle da inflação. A decisão do Fed, que reduziu o juro de 4,25% ao ano para 3,5% ao ano, foi anunciada nesta terça-feira, 22, antes da abertura dos mercados nos Estados Unidos.   Mesmo com esta queda, analistas avaliam que o banco central norte-americano vai promover mais uma redução na reunião marcada para o final de janeiro. As apostas dividem-se em mais um corte de 0,25 ponto porcentual e 0,5 ponto porcentual.   Cenário no Brasil   Thadeu de Freitas, que é chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio, não integra o grupo dos analistas que vêem piora no quadro inflacionário nos últimos dias. Para ele, o IPCA em 2008 ficará entre 4,0% e 4,3% e nada mudou nas perspectivas de inflação.   O quadro atual, segundo ele, mostra recuo no preço do petróleo e desaceleração na alta dos produtos alimentícios, garantindo um retorno do IPCA a níveis reduzidos a partir de março, após as pressões naturais do início do ano. "Tem muito ruído nessas previsões mais altas de inflação", disse.   Na segunda-feira, o relatório Focus do Banco Central mostrou uma piora no cenário para a inflação, já que a mediana das expectativas para 2008 subiu de 4,29% para 4,37%, refletindo principalmente a deterioração das projeções para janeiro, que passaram de 0,53% para 0,58%.   Para Thadeu de Freitas, a taxa Selic permanecerá inalterada no primeiro semestre e pequenas quedas poderão ocorrer a partir de julho. A mudança nesse cenário, segundo ele, só seria possível com uma disparada do dólar no Brasil, que ele considera improvável, sobretudo após o anúncio da queda dos juros nos EUA.

Mais conteúdo sobre:
Mercado financeiroEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.