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Juro menor reduziu opções de crédito

Com diferenças menores nas parcelas, trocar de banco na hora de financiar veículo não vale a pena, diz professor de economia

Luiz Guilherme Gerbelli, de O Estado de S. Paulo,

28 de abril de 2012 | 17h16

A redução da diferença de juros cobrados entre os bancos na taxa de financiamento de veículos diminuiu o poder de barganha do consumidor.

Numa simulação de financiamento de um veículo de R$ 30 mil em 24 meses, a diferença das parcelas mínimas que variavam em quase R$ 70 ao mês caiu para R$ 16,75. "Por esse levantamento não vale a pena trocar de banco", diz Samy Dana, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e responsável pelo cálculo. "A diferença da parcela ficou bem baixa."

Em números porcentuais, a diferença entre as taxas passou de 0,40 ponto ao mês para apenas 0,10 ponto porcentual.

A taxa para financiamento de veículos foi reduzida pelos principais bancos do País. O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, para terem as menores taxas do mercado, já reduziram duas vezes os juros da modalidade neste mês. "A burocracia para a portabilidade é grande e o consumidor tende a manter a taxa no banco em que já tem o relacionamento", afirma Dana.

Na avaliação do professor da FGV, com as reduções das taxas de juros para o financiamento, o maior risco pode ser um aumento dos preços dos automóveis.

Segundo Otto Nogami, professor de economia do Insper, a queda na diferença das taxas reduz a atratividade da portabilidade. "À medida que tem uma convergência das taxas, é lógico que a portabilidade começa a não valer tanto mais a pena", afirma.

Para Nogami, porém, é preciso levar em conta que a pressão crescente do governo em cima dos bancos pode mexer com essa igualdade no mercado, já que as instituições financeiras podem começar a oferecer condições melhores para atrair o cliente na troca de banco. "O ideal mesmo é que o correntista coloque na ponta do lápis e analise se haveria uma compensação significativa na troca de banco."

Pesquisa da Proteste divulgada na semana passada aponta que os correntistas dos bancos estão enfrentando dificuldade na hora de conseguir um juro mais baixo na própria instituição. A redução só tem ocorrido para novos clientes - os bancos negaram.

Crédito imobiliário

A redução recente dos juros para o financiamento imobiliário também pode ser limitada. Na quarta-feira, a Caixa Econômica Federal - responsável por 75% desse segmento - reduziu o juro para a compra do imóvel em até 21%.

Para realizar a portabilidade, pesa sobre a transferência uma taxa que pode variar entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, de acordo com o Secovi-SP. "É preciso considerar que o correntista já tem um relacionamento com o banco atual. Precisa ver se realmente convém", afirma Flávio Prando, vice-presidente do Secovi-SP.

Para ele, só em casos "muito especiais" a mudança de banco vai valer a pena na hora de buscar um contrato de financiamento imobiliário no banco. "É preciso analisar o quanto vai se economizar na nova prestação, para checar se vale a pena pagar o custo", diz Prando.

Ele recomenda que quem deseja iniciar um financiamento deve pesquisar entre vários bancos para checar qual a melhor condição. "O cliente deve prestar atenção na parcela", afirma.

Prando acredita que as demais instituições financeiras também deverão se movimentar e reduzir os juros para o crédito imobiliário. "Os bancos enxergam os clientes de crédito imobiliário de forma muito importante. Normalmente é um cliente que fica por 20 anos e tem um único custo de captação."

Na avaliação do vice-presidente do Secovi, as reduções das taxas foram positivas e não devem aumentar o valor do imóvel.

 

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