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Juro não pesa na decisão de compra

Estudo mostra que principal preocupação do consumidor paulistano é saber se a parcela cabe no orçamento

Andrea Vialli, O Estadao de S.Paulo

28 de agosto de 2008 | 00h00

O paulistano não presta atenção nos juros quando parcela suas compras, embora tenha a percepção de que eles são altos no Brasil. Também está usando mais o cartão de crédito do que o carnê do crediário para obter financiamentos e, apesar de recorrer com freqüência às compras a prazo, não se considera endividado. As conclusões são de um estudo encomendando pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP)ao instituto de pesquisa Toledo & Associados, com o objetivo de traçar o perfil dos endividados na capital paulista e o consumo de produtos financeiros e de crédito. Foram ouvidas 1.007 pessoas, sendo 49% homens e 51% mulheres, durante o mês de agosto.Embora 70% das pessoas que financiaram suas compras não saibam dizer o valor das taxas que foram cobradas, 87% dos paulistanos consideram os juros altos no Brasil e 81% acham que a taxa de juros cobradas pelas lojas é elevada. Segundo o economista-chefe da ACSP, Marcel Solimeo, o resultado da pesquisa não surpreende. "Existe a percepção entre os consumidores paulistanos de que se perde dinheiro com os juros altos, mas na hora de adquirir um bem a preocupação é se a parcela cabe no orçamento." Segundo Solimeo, a recente alta na taxa básica de juros da economia - para 13% - não afugentou os consumidores do crediário, por causa do alongamento dos prazos para pagamento."Os prazos mais longos têm viabilizado a queda no valor das prestações. Ou seja, juros mais altos não significam menos consumo. Um computador pode ser adquirido em 24 vezes, e um carro em até 90 vezes." Segundo o economista, a desvalorização do dólar também barateou alguns eletroeletrônicos, como notebooks e TVs de plasma e de LCD.O estudo concluiu também que o paulistano se endivida mais com prestações de bens do que com empréstimos bancários: apenas 17% dos entrevistados tomou empréstimos recentemente. E o cartão de crédito, seja de lojas ou de grandes administradoras, já toma espaço do velho carnê do crediário em São Paulo: 54% utilizam o cartão para parcelamento de compras, enquanto 45% financiam por meio de carnês. Segundo Solimeo, a preferência pode ser explicada pela facilidade de se obter crédito no comércio, por meio de cartões de loja. "Mas acredito que seja pontual, uma vez que o carnê ainda é bastante utilizado entre as classes de renda mais baixa."PRIORIDADEA pesquisa detectou ainda que, em situação de restrição da renda, as famílias paulistanas dão preferência ao pagamento de produtos e serviços vitais, como água, luz, alimentos e aluguel. Segundo o estudo, 31% priorizam o pagamento de contas de água, 17% dão prioridade às compras de alimentos, 13% o aluguel e 11% a energia elétrica. Apenas 3% dos entrevistados priorizam o pagamento dos financiamentos. INADIMPLÊNCIA Outro objetivo da pesquisa foi verificar a percepção dos paulistanos sobre o próprio endividamento. Apenas 19% dos entrevistados se julgam endividados, e metade deles se consideram econômicos, gastando apenas o essencial.Entre os paulistanos de maior poder aquisitivo, 14% das mulheres da classe A2 e 20% dos consumidores da classe B1 julgam que compram por impulso e gastam mais do que o essencial. De acordo com Solimeo, a inadimplência no comércio paulistano está em torno de 7,5% e cresceu meio ponto porcentual em relação ao início do ano. NÚMEROS70% dos paulistanos não sabem quanto pagam de juros87% consideram as taxas de juros do País altas81% acham altos os juros cobrados pelas lojas54% utilizam cartões de crédito para financiar suas aquisições

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