Juro no crédito ao consumidor chega a 42,5% ao ano, o maior em três anos

No cheque especial, taxa chega a 168,5%, a maior desde março de 2012, mas crédito continua crescendo, segundo o Banco Central

Victor Martins e Eduardo Rodrigues, Agência Estado

25 de junho de 2014 | 11h22

BRASÍLIA - O juro médio do crédito livre para as famílias chegou a 42,53% ao ano em maio, depois de subir 0,5 ponto porcentual em relação ao mês de abril. Essa é a maior taxa desde julho de 2011, quando os juros estavam em 42,67%. No cheque especial, a taxa de 168,50% ao ano é a mais elevada desde março de 2012, quando os bancos cobravam 170,10% por essa modalidade de crédito.

Apesar da alta, o mercado de crédito continuou crescendo, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira, 25. O Chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, avaliou que a expansão do crédito continuou em maio, a um ritmo um pouco maior do que o observado em abril. 

“Observamos um crescimento mais intenso em maio, em ambiente de continuidade da elevação das taxas de juros", disse ele. "Em termos de inadimplência, o quadro é melhor do que o observado no ano passado, embora tenha havido uma pequena elevação na margem após seis meses de estabilidade absoluta”, completou. 

O economista do Banco Central destacou também que a tendência de moderação do crédito se mantém, lembrando que em 2013 o crédito se expandiu 14,7%, mas o crescimento está em 12,7% em 12 meses até maio deste ano. “Essa moderação tem um aspecto benigno em termo de sustentabilidade do crédito. A sustentabilidade do crédito requer taxas mais moderadas de expansão”, acrescentou.

Inadimplência. A taxa de inadimplência no crédito livre ficou em 5,0% em maio deste ano, nível superior ao de abril, que foi de 4,8%. Para pessoa física, houve alta de 6,5% para 6,7% na comparação mensal. Para as empresas, porém, passou de 3,3 % para 3,5%. Já a inadimplência do crédito direcionado ficou estável em 1,1% em maio. 

No crédito livre para pessoa física, a inadimplência no crédito pessoal subiu de 2,6% em abril para 2,7% no mês passado. No cheque especial, passou de 8,9% para 9,6% na comparação mensal. Na aquisição de veículos, ficou estável em 5% entre abril e maio. No cartão de crédito, subiu de 22,9% para 23,9% na mesma base de comparação. 

Crédito imobiliário. As operações de crédito direcionado para habitação no segmento pessoa física cresceram 2,4% em maio ante abril, totalizando R$ 376,5 bilhões no fim do mês passado, de acordo com o Banco Central.

Em 12 meses, a expansão é de 30%. Segundo o BC, R$ 38,254 bilhões se referem a empréstimos a taxas de mercado e R$ 338,275 bilhões a taxas reguladas. 

Veículos. O estoque de operações de crédito livre para compra de veículos por pessoa física caiu 0,5% na passagem de abril para maio, segundo o Banco Central. Com isso, o total de recursos para aquisição de automóveis por esse grupo de clientes chegou a  R$ 188,075 bilhões em maio, contra R$ 188,971 bilhões em abril. 

Em 12 meses, a queda é de 2,7% no estoque dessas operações. As concessões acumuladas em maio para financiamento de veículos para pessoa física somaram R$ 7,694 bilhões, o que representa uma alta de 1,4% em relação ao mês anterior (R$ 7,589 bilhões).

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