Juro para compra de máquinas fica abaixo da inflação

Além de reduzir juros do BNDES, governo também vai estimular compra de máquinas, equipamentos, caminhões e aviões usados

RENATA VERÍSSIMO, ADRIANA FERNANDES, CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2012 | 03h04

Para socorrer os setores que ainda mais sofrem com os efeitos da crise - bens de capital e caminhões - o governo reduziu novamente as taxas de juros dos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento, Econômico e Social (BNDES), criou novas linhas e adotou medidas para antecipar as compras das empresas. Até mesmo a compra de máquinas e equipamentos, caminhões e aviões usados receberá estímulo do governo.

Para isso, o Tesouro Nacional subsidiará juros menores que a inflação prevista, o que representa juros reais negativos. As linhas, no Programa de Sustentação do Investimento (PSI), venceriam sexta-feira e foram prorrogadas até 31 de dezembro. Os juros dos financiamentos para empresas interessadas na compra de caminhões e máquinas e equipamentos pelo Finame caíram para 2,5% ao ano. Essa mesma taxa valerá para o Procaminhoneiro - para caminhoneiros individuais. Ainda houve uma redução de 1 ponto porcentual, para 8%, nos juros para financiar exportação de bens de capital.

Uma nova linha de financiamento para bens de capital usados também está sendo criada. "Quando o cidadão quer comprar um caminhão novo, ele tem de vender um usado e necessita de uma linha para o comprador do usado", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A linha vale para caminhões, máquinas e ferramentas, tratores, carretas, aeronaves comerciais e cavalos mecânicos usados e de fabricação nacional. A taxa que incidirá sobre esse crédito é a TJLP (5,5% ao ano) mais 1%, além do risco da empresa.

Outra linha lançada ontem refinanciará bens de capital para empresas de máquinas e equipamentos, ônibus e caminhões. "Se houver inadimplência, o interessado obtém novo crédito para pagar o antigo. Ele vai quitar esse financiamento e tem um refinanciamento. É como se fosse um aumento do prazo de pagamento", disse Mantega. Os juros ainda não foram estipulados.

O governo também permitirá a aceleração da depreciação para caminhões e vagões adquiridos até o fim do ano. "Só para esses dois produtos estamos acelerando de 48 meses para 12 meses. Isso significa que a empresa poderá lançar no balanço os gastos a depreciação desse bem como um custo e receber os tributos de volta em 12 meses." A depreciação acelerada já é permitida para máquinas e equipamentos.

"Quem vai entrar no programa ferroviário que foi lançado faz a encomenda agora e depois faz depreciação. Ou seja, o produto vai sair muito mais barato", disse Mantega, referindo-se ao programa de infraestrutura lançado há 15 dias pela presidente Dilma Rousseff.

O PSI foi criado durante a crise global de 2009 e tem orçamento de R$ 227 bilhões, dos quais R$ 78 bilhões ainda não forma desembolsados. As novas medidas, segundo Mantega, permitirão liberar todo o valor previsto.

Cenário. Poucas horas antes do anúncio das medidas, representantes dos setores de bens de capital e de caminhões estiveram com o ministro e apresentaram um cenário pessimista. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) reclamou da concorrência internacional e informou que a capacidade instalada do setor está em 73%, a mais baixa em 40 anos, e mais de 10 mil trabalhadores foram demitidos entre outubro de 2011 e junho de 2012.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas de caminhões caíram 20% de janeiro a julho, ante mesmo período de 2011. A projeção é que a retração se acentue e atinja 42% no fim do ano. Como caminhões já têm isenção de IPI, a alternativa para recuperar as vendas é baratear o crédito.

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