Juro para consumidor é o menor desde 1994

O consumidor está pagando juros menores e tendo um prazo mais longo para quitar os empréstimos bancários. Em maio, pelo quarto mês consecutivo, as taxas de juros caíram tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. De acordo com dados divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC), a taxa média de juros para as pessoas físicas estava em 56,1% ao ano, nível mais baixo da série estatística, iniciada em julho de 1994. Em relação a abril, a queda foi de 1,7 ponto porcentual.O BC detectou que nos primeiros 12 dias de junho houve uma pequena elevação nas taxas dos financiamentos para pessoas físicas. Mesmo assim, o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes, garante que a tendência é de baixa. "As taxas de juros ainda têm espaço para cair", disse. De acordo com Lopes, só agora a queda da taxa básica de juros, a Selic, que vem sendo promovida desde setembro do ano passado pelo BC, começa a se refletir de forma mais acelerada na rede bancária. Por isso ele diz estar convencido de que os consumidores serão beneficiados com taxas menores nos próximos meses.Além do crédito mais barato, os clientes estão sendo beneficiados com mais dinheiro à disposição para os financiamentos e maior prazo de pagamento. O saldo dos empréstimos do chamado crédito livre - recursos que os bancos podem destinar para qualquer segmento - saltou de R$ 431,16 bilhões em abril para R$ 443,95 bilhões em maio, um aumento de 3%. Esse volume de crédito representou 22,1% do Produto Interno Bruto (PIB), o porcentual mais alto da série histórica desse indicador, que começou em junho de 2000.Cartões de crédito e dia das mãesA expansão do crédito foi significativa no cartão de crédito, cujo uso aumentou 15% devido ao Dia das Mães, e também no leasing, voltado, basicamente, para o financiamento de veículos. Em maio, segundo os dados do BC, os consumidores também tiveram mais prazo para pagar suas compras. O consumidor pessoa física obteve prazo médio de 328 dias para quitar a dívida. É o prazo mais elevado desde julho de 2001.Mas também a inadimplência, segundo o BC, cresceu entre abril e maio. Ela é a mais alta desde 2003, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. Em maio 2,4% do crédito concedido às pessoas jurídicas e 7,6% dos financiamentos às pessoas físicas estavam em atraso por mais de 90 dias. De acordo com Lopes, esses números devem ser analisados com cuidado. Na sua avaliação, a inadimplência foi maior porque também foi mais elevado o volume de crédito à disposição dos clientes.A redução dos juros, no caso das pessoas jurídicas, foi de 0,9 ponto porcentual em maio, com a taxa média de 29,7% ao ano. A queda dos juros foi acompanhada da diminuição do "spread bancário", que é a diferença entre o que o banco paga para captar o dinheiro de um cliente e a taxa que ele cobra para emprestar para outro. O spread para a pessoa jurídica caiu de 15% em abril para 14% em maio, enquanto para a pessoa física baixou de 43% para 41,1%.No segmento das pessoas físicas, a queda dos juros foi liderada pelo crédito pessoal, cuja taxa média baixou de 65,3%, em abril, para 62,3% ao ano em maio, e pelo financiamento de veículos, que teve queda de 34,1% para 33,3% ao ano. A taxa média cobrada no cheque especial permaneceu em 145,4% ao ano, enquanto o juro do crédito com desconto em folha, chamado de consignado, até subiu, passando de 36,2% em abril para 36,8% em maio. Para Lopes essa pequena elevação é pontual e pode significar apenas o aumento da participação, no mercado, de alguma instituição que cobra mais caro.

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