Juro para consumidor sobe mais que Selic

Segundo Anefac, impacto na taxa média deve ser de 0,5 ponto

Renée Pereira, de O Estado de S. Paulo,

15 de abril de 2008 | 21h45

O provável aumento de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic hoje, para 11,5% ao ano, será um ingrediente a mais para pressionar os juros cobrados ao consumidor. Desde dezembro, com o agravamento da crise americana, as taxas dos empréstimos e financiamentos inverteram o movimento de queda e começaram a subir nos principais bancos e financeiras do País. Veja também:  Acompanhe online a decisão do Copom sobre a taxa Selic   ENQUETE: Se o juro subir, você vai reduzir suas compras a prazo?   Compare a taxa básica da economia com os juros cobrados ao consumidor No cheque especial, os juros subiram de 138,1% em dezembro para 146% ao ano, em fevereiro, segundo dados do Banco Central (BC). A alta atingiu até mesmo as taxas do financiamento de veículos, que subiram de 28,8% para 31,2% ao ano. No crédito pessoal, avançou de 45,8% para 52,6%.  O relatório do Banco Central referente ao mês de março ainda não foi divulgado, mas dados do Procon-SP e da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostram que as taxas continuaram subindo no mês passado. O movimento deverá ser intensificado pela provável alta hoje da Selic. Segundo simulações feitas pela Anefac, um aumento de 0,25 ponto porcentual teria impacto de 0,52 ponto na taxa para o consumidor. Com isso, na média, os juros anuais subiriam de 132,39% para 132,91%.  Os cálculos mostram que os maiores impactos seriam sentidos nas taxas do empréstimo pessoal das financeiras, cartão de crédito e cheque especial, com altas de 0,78, 0,71 e 0,54 ponto porcentual, respectivamente. Na simulação, os juros anuais do comércio subiriam 0,46 ponto com a alta de 0,25 ponto da Selic. O avanço, entretanto, não deve ser suficiente para frear as compras dos consumidores, destaca o vice-presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira.  Isso porque os consumidores olham o tamanho da prestação e se cabe no orçamento familiar. Na compra de uma geladeira, de R$ 800 em 12 vezes, a elevação de cada prestação será de apenas R$ 0,10. Ou seja, a medida do BC não teria eficiência para conter a demanda, dizem os especialistas. Juro real Se a Selic subir também vai reforçar a liderança do Brasil no ranking de juros reais (descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses). Segundo cálculos da UPTrend Consultoria Econômica, com o resultado do Copom, a taxa real brasileira atingirá 6,8% ao ano, a maior do mundo. Em segundo lugar aparece a Turquia, com 5,6% ao ano. A Austrália está em terceiro lugar com 4,6% e a Colômbia em quarto, com 3,4%. O México fica com a quinta colocação, com 3,2%. A taxa média mundial ficou em 0,5%.

Tudo o que sabemos sobre:
Taxa Selicjuro ao consumidor

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.