Juro para consumo é o maior em 2 anos

Taxa média de empréstimos para pessoas físicas atingiu em janeiro 39,9% ao ano

Murilo Rodrigues Alves, Laís Alegretti e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2014 | 02h04

Apesar de a queda no custo dos empréstimos e financiamentos bancários ter sido colocada como uma das principais bandeiras do governo. a presidente Dilma Rousseff inicia o ano em que disputa a reeleição com os bancos cobrando o mais alto valor para dar crédito às famílias em quase dois anos.

A taxa de empréstimos e financiamentos com recursos livres para pessoas físicas subiu de 38% ao ano em dezembro de 2013 para 39,9% ao ano no mês passado, segundo dados divulgados ontem BC. Trata-se do maior valor médio já cobrado desde março de 2012, quando estava em 41,1% ao ano.

Para o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, a alta dos juros bancários é consequência direta da elevação na taxa básica de juros da economia - desde abril do ano passado, o BC aumentou a Selic em 3,5 pontos porcentuais, chegando a 10,75%. "A alta de juros é consistente com a trajetória da Selic", disse.

Entretanto, somente no mês passado, a taxa média aumentou quase dois pontos porcentuais. Em algumas linhas específicas, como cheque especial e crédito pessoal não consignado, as altas foram mais significativas, de 6,1 ponto porcentual e 5,1 ponto porcentual, respectivamente. Isso significa que os bancos voltaram a cobrar, em média, exorbitantes 154% ao ano das pessoas que entraram no cheque especial e 91,2% ao ano de quem pegou empréstimo pessoal.

Pessoa jurídica. Os empréstimos às empresas também ficaram mais caros. A taxa média com recursos livres subiu para 22,8% em janeiro, ante 21,4% cobrados no fim de 2013. Os spreads - diferença entre o custo que os bancos têm para captar o dinheiro e o que as instituições repassam aos clientes - fecharam janeiro em 27,4 pontos porcentuais nas operações com as famílias (maior índice desde maio de 2012) e 11,7 pontos porcentuais para as empresas (agosto de 2012).

Segundo Maciel, em dezembro, as pessoas costumam usar o décimo terceiro para quitar as dívidas do cheque especial, mas no primeiro mês do ano as famílias recorrem de novo à modalidade rotativa, cujas taxas são elevadas. Esse fato explicaria porque, em dezembro, mesmo em meio à elevação da Selic, houve recuo na taxa média cobrada nos empréstimos e financiamentos.

Inadimplência. Outra influência sazonal do início do ano, segundo Maciel, é o aumento dos atrasos de 15 a 90 dias, indicador que antecede a inadimplência (atrasos superiores a três meses). Nas operações com recursos livres, esses atrasos subiram de 6,2% em dezembro do ano passado para 6,5% em janeiro deste ano. Na passagem de 2012 para 2013 também houve elevação de 6,8% para 7%. "Isso reflete os excessos das férias com os compromissos do início do ano e não necessariamente tende a reverter em inadimplência", afirmou Maciel.

Os juros aumentaram apesar da trajetória de queda da inadimplência. Segundo dados do Banco Central, os calotes de famílias ao sistema bancário fecharam o primeiro mês do ano em 6,6%, o menor patamar desde abril de 2011, quando estava em 6,4%. O nível da inadimplência das empresas é menor, de 3,2%. Até mesmo os atrasos nos financiamentos para aquisição de veículos, considerados os grandes vilões para a alta inadimplência, mantiveram-se estáveis em 5,2% no mês passado, depois de rondar na casa dos 7% entre maio e outubro de 2012.

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