Juro para investimento é o menor da história: 5,5%

Mas especialistas não acreditam que medida seja suficiente para retomada de investimentos

RENATA VERÍSSIMO, LU AIKO OTTA, BEATRIZ ABREU / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h11

Com a redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para 5,5%, o menor nível da história, as empresas passam a contar com dinheiro a um custo que sempre reivindicaram. Mas os analistas duvidam que isso será suficiente para estimular investimentos, por causa da conjuntura internacional adversa e do fraco crescimento doméstico.

A redução da taxa afetará empréstimos novos e os R$ 480 bilhões já concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), segundo informou ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Isso barateia a parcela que eles (os empresários) pagam. Então, a redução tem um impacto muito grande."

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) comemorou a medida, mas ressaltou que é insuficiente para desengavetar os projetos. "Se considerarmos que a inflação está na casa dos 5%, um pouco mais, a taxa real para os investimentos está em zero, que é onde queríamos chegar. Agora falta desonerar os investimentos", afirmou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Para o professor da PUC do Rio, Márcio Garcia, atualmente já há sobra de recursos no BNDES, que vinha operando com juros bastante baixos. "Não acredito que as empresas vão investir mais porque há uma enorme incerteza sobre a crise internacional e os reflexos no Brasil."

Segundo apurou o Estado, os empresários vem defendendo medidas mais agressivas para estimular os investimentos, como a depreciação acelerada de máquinas e equipamentos por um tempo limitado. O impacto seria mais amplo, mas o custo fiscal também é maior.

Efeito fiscal. O impacto fiscal negativo da TJLP será visto no resultado nominal (diferença entre receitas e despesas, considerando juros). Isso porque o pagamento do BNDES ao Tesouro pelas capitalizações feitas desde 2009 é calculado com base na TJLP. Nesse sentido, o Tesouro receberá menos pelos empréstimos, elevando a dívida pública.

De acordo com Felipe Salto, economista da Tendências Consultoria, o custo fiscal da redução da TJLP é de R$ 3,5 bilhões, o equivalente a 0,08% do Produto Interno Bruto (PIB). "Esse impacto isoladamente é pequeno. O problema é a estratégia: o governo agiganta o BNDES, mas os investimentos não decolam."

Mantega argumentou ontem que o déficit nominal está caindo muito e que, por isso, o efeito da queda da TJLP pode ser assimilado pelas contas públicas. O novo nível deve ser aprovado hoje pelo Conselho Monetário Nacional e valerá para o terceiro trimestre. A taxa está em 6% ao ano há três anos, desde julho de 2009. / COLABOROU RAQUEL LANDIM

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