Juro permanecerá baixo o tempo que for necessário, diz Greenspan

O presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, afirmou hoje que o Banco Central dos EUA manterá uma taxa básica de juros baixa durante o tempo que for necessário para assegurar uma sólida recuperação econômica e que poderá promover novos cortes, se houve necessidade. Em depoimento semestral ao Congresso, Greenspan disse que a enfraquecida economia deverá ganhar força nos próximos trimestres, impulsionada pelo reaquecimento dos mercados acionários e por uma dose pesada de reduções de impostos, além de aumento dos gastos federais. Simultaneamente ao depoimento de Greenspan, o Fed divulgou um relatório no qual prevê que a economia crescerá entre 3,75% e 4,75% no próximo ano, acima da expansão de 2,5% a 2,75% esperada para este ano. Consumo Os comentários de Alan Greenspan sugerem que o Fed, provavelmente, não promoverá elevação das taxas de juro pelo menos até 2005 - mesmo se a economia se acelerar rapidamente antes desse ano. Greenspan declarou que os gastos dos consumidores, motor de propulsão da economia dos EUA, deverão se acelerar no curto prazo, em razão do corte recorde de impostos e dos refinanciamentos dos empréstimos hipotecários. O presidente do Fed disse que o poder de compra dos cidadãos aumentou 4,5% no primeiro semestre de 2003, em razão dos ganhos de capital com seus investimentos e do aumento dos valores de seus bens imobiliários. Segundo cálculos de Greenspan, os proprietários de imóveis nos EUA receberam um valor recorde de US$ 1,6 trilhão com recursos liberados com refinanciamento em 2002. Além disso, ele previu que a lei recente de redução de impostos vai provover um aumento considerável da renda dos assalariados no segundo semestre do ano, mesmo com os aumentos de taxas estaduais e locais. Empresas Em relação ao setor empresarial, o presidente do Federal Reserve afirmou que os empresários continuam travados por um "sentimento de cautela pertinaz" relacionado aos escândalos corporativos de 2002. Essa cautela estaria fazendo com que eles relutem em expandir seus negócios, embora a produção industrial tenha se estabilizado. "Até agora, há poucas evidências de que o ambiente financeiro mais acomodado melhorou, materialmente, o desejo dos grandes executivos em ampliar o investimento em capital", declarou. "Os executivos e diretores de conselhos estão, aparentemente, inseguros sobre como eventuais ações de arriscadas serão interpretadas por seus acionistas e pelos órgãos reguladores" Flexibilização Alan Greenspan afirmou que as autoridades monetárias, no último encontro dos dias 24 e 25 de junho, avaliaram o que poderão fazer para revitalizar a economia, caso não tenham mais a opção de cortar os juros. "Dada a postura monetária atual estimulante e as expectativas de inflação, o comitê concluiu que os fundamentos econômicos indicam que não devem surgir necessidades especiais de ações", disse. No entanto, o presidente do Fed argumentou que com a meta para as taxas de juros em 1%, medidas de flexibilização convencionais deverão se implementadas. As informações são da agência Dow Jones.

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