''Juro poderá cair no meio de 2011''

Antes mesmo de a atividade dar sinais de acomodação e a inflação mostrar arrefecimento, a equipe de economistas do banco Credit Suisse, liderada por Nilson Teixeira, já antecipava ambos os movimentos. No início do mês, eles divulgaram um relatório que visava a explicar aos clientes por que tinham cenário mais positivo para o País do que a média do mercado.

Leandro Modé, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2010 | 00h00

No subtítulo, escreveram: "Aspectos estruturais e conjunturais explicam nossa leitura mais favorável para a dinâmica da economia brasileira no curto e médio prazos."

Apesar de uma forte dor no joelho direito, fruto de uma queda sofrida durante passeio de esqui nas recentes férias, Teixeira conversou com o Estado, quinta-feira, por uma hora e meia. Falou sobre a conjuntura e comentou a decisão do Banco Central (BC) de diminuir o ritmo de alta da taxa básica de juros (Selic) de 0,75 para 0,50 ponto porcentual. A seguir, os principais trechos da conversa.

A maior parte do mercado e o próprio Banco Central erraram na avaliação recente da economia, tanto do ponto de vista da inflação quanto da atividade?

A maioria dos participantes do mercado acreditava que a economia desaceleraria no segundo trimestre em relação ao forte crescimento do primeiro. Mas, de fato, a desaceleração foi mais forte do que se imaginava. Hoje, há maior clareza de que a atividade econômica vai ter ritmo mais gradual daqui para a frente. E a inflação tem sido um pouco mais benigna do que nós, o BC e os participantes do mercado imaginavam.

A projeção de crescimento de vocês para este ano se mantém em 8% a despeito desse cenário?

O desempenho do segundo trimestre sinaliza que será um pouco abaixo de 8%, mais perto de 7,5%.

O que significa para as pessoas o Brasil sair de uma expansão de 2,7% no 1º trimestre para algo em torno de 0,5% no 2º?

Como há crescimento, significa dizer que, no 2º trimestre, a atividade esteve mais forte do que no 1º. Não é que a economia ficou mais frágil. Só que o grau de crescimento da produção de bens e serviços diminuiu o seu ritmo. É muito difícil para a sociedade perceber se está crescendo a 1,5% ou 0,5% em um intervalo curto de tempo. É pouco provável que as pessoas, as indústrias percebam essa mudança significativa.

Há chance de o centro da meta de inflação (4,5%) ser cumprido este ano?

Certamente. Se a inflação alcançar 0,30% ao mês nos próximos meses, chega muito próxima ao centro da meta.

Como ficou o cenário para a taxa Selic?

Dependerá do que veremos na ata do Copom que sai quinta-feira e dos indicadores das próximas semanas. Mas há chance de que o ciclo de altas tenha acabado. Acreditamos que já em meados de 2011 haverá espaço para o BC retomar o processo de redução da Selic para algo em torno de 10% no fim do ano.

O sr. vê algum risco para a economia com base no que têm dito os candidatos?

Em 2002, havia incerteza sobre quais programas seriam seguidos pelos candidatos. Em 2010, a volatilidade que vem da campanha eleitoral é mínima. Não ouvi ninguém falando que a vitória de candidato "x" ou "y" trará algum problema importante.

No mercado, acredita-se que o chamado PIB potencial varie de 4% a 4,5%. No relatório, vocês falam em 4,5% a 5,5%.

Se eu fosse um otimista nato, diria que está na faixa de 6%. Fosse um pessimista, falaria em 3% ou um pouquinho mais. Mas, considerando os variados métodos para calcular, ficamos entre 4,5% e 5,5%.

Está mais para 4,5% ou 5,5%?

Diria que está um pouco acima do que abaixo de 5% para este e o próximo ano.

Quais são os principais riscos para a economia brasileira hoje?

Os riscos de curto prazo vêm do exterior. Há incerteza sobre o grau de retomada da economia americana, sobre a situação da Europa e sobre o grau de desaceleração da China.

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