Juro real a 2% é grande conquista, diz Gleisi

A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, disse ontem que a taxa de juros reais em torno de 2% é uma grande conquista para o País. "Foi um grande feito." A ministra representou a presidente Dilma Rousseff no jantar anual da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e cobrou do setor financeiro a continuidade da redução das taxas de juros de mercado. Gleisi Hoffmann também aproveitou para agradecer ao setor financeiro o apoio aos convênios do governo.

O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2012 | 02h05

Segundo o presidente da Febraban, Murilo Portugal, os bancos estão comprometidos em reduzir o spread (diferença entre o que os bancos pagam para captar e quanto cobram para emprestar). Segundo ele, o ano de 2012 foi difícil não só para a economia global, mas também para o Brasil e, consequentemente, para o setor bancário. Isso porque, ainda de acordo com Portugal, a experiência mostrou que os bancos só podem ir bem se a economia prosperar.

"Baixar juros e spreads não é uma tarefa fácil de ser implementada. O ano de 2012 foi difícil, mas isso não nos desanima, nos fortalece para trabalharmos com mais afinco em um ano novo para reafirmar o nosso compromisso com a sociedade", disse ele, na abertura do jantar.

Portugal elogiou as medidas adotadas pelo governo, dentre elas, a redução de juros, e ressaltou o crescimento do crédito no Brasil que, segundo ele, deve avançar entre 15% e 16% este ano. De acordo com o presidente da Febraban, os bancos têm consciência dos desafios que ainda têm pela frente, em meio ao cenário de juros baixos. "Temos a responsabilidade de melhorar a eficiência dos bancos e a qualidade dos nossos serviços e continuar reduzindo custos."

Também presente ao evento, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse estar seguro que a implementação das normas de Basileia 3 no Brasil ocorrerá "sem perturbações". Ele assegurou que a autoridade monetária adotará um "cronograma adequado" para que tais regras internacionais entrem em vigor no País.

O objetivo das regras de Basileia 3 é ampliar a solidez do sistema financeiro mundial, com colchões de liquidez mais amplos, a fim de reduzir riscos de alavancagem e tornar mais sólido o caixa dos bancos pelo mundo, especialmente os de grande porte.

No Brasil, as regras do acordo devem começar a ser implementadas em 2013, mas ainda não há definição sobre quando ocorrerá. É certo que a crise na Europa, e as dificuldades políticas de implementação do supervisor financeiro único no continente, que será o Banco Central Europeu, devem colaborar para atrasar um pouco o cronograma dessas normas no País.

Tombini disse que o BC possui "instrumentos e processos melhores" de supervisão, o que "facilita identificar potenciais riscos" mais cedo. "O resultado final é que estamos ampliando nossas ações preventivas, tornando o sistema ainda mais sólido, seguro e estável.". / FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, RICARDO LEOPOLDO E ALINE BRONZATI

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