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Juro real do Brasil é alto demais, diz Ruarte, do FMI

O vice-diretor para o departamento do hemisfério ocidental do FMI, Jorge Marquez-Ruarte, disse hoje que o nível de depósito compulsório do Brasil é muito elevado, sendo um dos problemas que mantêm a taxa de juro real alta e também um dos obstáculos à retomada do crescimento econômico. "Nós, do FMI, achamos que a questão da taxa de juro real do Brasil é algo muito sério. Como a taxa Selic atual é de 20% e a inflação estimada para este ano é de 10%, estamos falando de taxa de juro real da ordem de 10 pontos porcentuais. É uma taxa de juro muito alta até para os níveis internacionais, incluisve para outros países em desenvovimento."Na opinião de Ruarte, será difícil para o BC brasileiro conseguir reduzir sozinho o juro real. "O BC tem conseguido baixar a taxa de juro nominal nos últimos meses, mas a questão é que a taxa de juro tem sido elevada no Brasil nos últimos anos e acho que vai permanecer alta, porque essa questão tem a ver com a estabilidade macroeconômica, o que não é trabalho apenas do BC, mas de todo o governo."Entre os desafios que o governo tem para tentar reduzir o juro real, segundo Ruarte, estão a redução dos spreads bancários, a introdução de Lei de Falências - o que reduziria o risco de inadimplência - a redução da tributação sobre o sistema financeiro e a melhora do sistema de classificação de risco dos tomadores finais de empréstimos. Ruarte criticou os elevados níveis de spread bancário no Brasil. Segundo o dirigente do FMI, "com os bancos cobrando os empréstimos das empresas a 40% ao ano e os empréstimos pessoais a 80%", há um grande problema para a retomada do crescimento.Ruarte disse que está claro que o compulsório sobre o depósitivo a prazo é uma das causas do elevado spread bancário. "O comsulsório a prazo de 45% é muito elevado, mesmo se comparado com outros países em desenvolvimento, nos quais este depósito é muito mais baixo", afirmou. "O governo brasileiro precisa lidar com esta questão se quiser reduzir os spreads bancários", enfatizou.

Agencia Estado,

22 de setembro de 2003 | 12h31

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