Juro real vai continuar em queda, diz Meirelles

Para presidente do BC, perspectiva de recuo é um dos principais dividendos da estabilidade, mas ainda faltam projetos na iniciativa privada

Jacqueline Farid, , Monica Ciarelli, O Estadao de S.Paulo

09 de outubro de 2007 | 00h00

A taxa de juros real (taxa Selic menos inflação) continuará em queda no País, garantiu ontem o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Ele citou a perspectiva de recuo como um dos principais ''''dividendos da estabilidade''''. No entanto, reclamou que os empresários não têm apresentado projetos para o Brasil.Em palestra em seminário no Rio, Meirelles afirmou que a convergência entre a expectativa de inflação para 12 meses e a taxa efetivamente medida levará à continuidade da queda da taxa de juros real. Esse foi um dos exemplos citados por ele para alegar que o País está mais preparado para as turbulências internacionais.''''O risco não passou. Existe ainda certa preocupação, especialmente de recessão nos Estados Unidos. Mas os riscos estão diminuindo. Agora são menores.'''' Nesse cenário, segundo ele, o Brasil ''''é um País que tem maior resistência a turbulências nos mercados internacionais''''.Meirelles confirmou que o Banco Central espera uma expansão de 4,7% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2007. Segundo ele, o crescimento da economia brasileira está sendo impulsionado pela demanda doméstica, em conseqüência do aumento da renda, do emprego e do crédito.Ele também citou, como dividendos da estabilidade, o desempenho das exportações, o saldo em conta corrente e o investimento estrangeiro direto. ''''Sempre se discutia muito os custos da estabilidade, e agora os seus benefícios ficam cada vez mais claros.''''Benefícios que, segundo ele, não estão sendo aproveitados pelos empresários. Para Meirelles, o grande desafio do Brasil, hoje, não é mais a carência de recursos, como foi nas últimas décadas, mas sim a falta de projetos na iniciativa privada. Ele contou que foi procurado por um fundo de pensão estrangeiro que disse estar interessado em investimentos de longo prazo no País, mas não tinha encontrado projetos.Na opinião do presidente do BC, as empresas brasileiras ainda não estão totalmente preparadas para esse novo cenário de crescimento. ''''Só agora estamos nos organizando como País, como empresas, inclusive as pequenas e médias, para desenhar projetos viáveis que possam gerar um crescimento maior e mais sustentável.''''ELOGIOSEconomistas que participaram do seminário, promovido pela Câmara Americana de Comércio, elogiaram o atual momento da economia brasileira. O chefe do departamento de economia do Bradesco, Octavio de Barros, mostrou confiança na obtenção do status de ''''investment grade'''' (grau de investimento) no curto prazo. Fabio Giambiagi, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), citou como ''''elementos favoráveis'''', na atual conjuntura, a ''''estabilidade política invejável'''', as perspectivas concretas de investment grade; a previsão de um boom imobiliário e a consolidação da estabilidade de preços.

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