Juros altos, crise e carga tributária "engessaram" desemprego

A taxa de desemprego está "engessada" como resultado dos juros altos, crise política e carga tributária elevada, segundo avalia o gerente da pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo. "Tudo isso faz com que o investidor fique preocupado e acabe não abrindo novos postos de trabalho", explica. Apesar da estagnação do mercado de trabalho, que não mostra movimento significativo na ocupação há seis meses, Azeredo destaca que novembro foi o melhor no indicador de emprego no governo Lula. Mas isso não evitou que a situação do mercado de trabalho ficasse inalterada na média das seis regiões metropolitanas em novembro na comparação com outubro.Historicamente, há queda da taxa de desemprego no penúltimo mês do ano, mas Azeredo destaca que isso não ocorreu também no ano passado. "A taxa está engessada porque não são abertos postos de trabalho, não há movimentação no número de ocupados. Não houve nem contratação de temporários no comércio, como se esperava neste mês", disse.Segundo Azeredo, é inédito seis meses com a taxa estável (entre 9,4% e 9,6% desde junho), mas pelo menos o patamar é o mais baixo da nova série da pesquisa de emprego do Instituto. Segundo ele, a taxa de desemprego de dezembro sempre foi a menor do ano e é o que se espera que ocorra no último mês de 2005, cuja taxa será divulgada em janeiro.Regionalmente, na comparação com outubro de 2005, não foi observada variação significativa em nenhuma das regiões pesquisadas. No confronto com novembro de 2004, apenas a região metropolitana de Recife apresentou crescimento (de 11,2% para 14,7%). As regiões metropolitanas de Belo Horizonte (de 9,2% para 8,2%), Rio de Janeiro (de 9,4% para 7,7%) e São Paulo (de 11,2% para 9,7%) apresentaram queda nesta estimativa. Nas Regiões Metropolitanas de Salvador e Porto Alegre o quadro foi de estabilidade. Dado positivoAzeredo disse que o dado positivo do mercado de trabalho em novembro é que o emprego formal prossegue na trajetória de crescimento, apesar da estagnação na taxa de desemprego. O número de trabalhadores com carteira assinada cresceu 0,8% em novembro ante outubro e 3,6% ante novembro do ano passado.

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