Juros altos derrubam o volume de crédito no País

Depois dessa redução, é provável que o crédito deixe de cair, à medida que se confirme a recuperação econômica

O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2017 | 03h00

Pesquisa trimestral de condições de crédito realizada pelo Banco Central (BC) identificou sinais de reação positiva da demanda de empréstimos por empresas e famílias, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, ao divulgar a Nota de Política Monetária e Operações de Crédito de fevereiro. Mas, se algumas tendências melhores já são observadas, os números efetivos deixam a desejar.

O saldo total dos empréstimos às empresas e famílias foi de apenas R$ 3,070 trilhões em fevereiro, inferior em 0,1% ao de janeiro e 3,5% menor do que o de fevereiro de 2016. Juros muito altos, pouco interesse de empresas e pessoas físicas de tomar empréstimos e bancos reticentes a emprestar respondem por uma longa fase de declínio do crédito na economia brasileira.

Medido pela relação entre o saldo total de financiamentos e o Produto Interno Bruto (PIB), o crédito caiu de 56,5% em dezembro de 2013 para 53,7% em dezembro de 2015, ficou abaixo dos 50% do PIB desde outubro de 2016, chegou a 49,6% em dezembro e recuou para 48,7% em fevereiro, porcentual inferior ao de cinco anos atrás (em dezembro de 2011, era de 49,1% do PIB).

Depois dessa redução, é provável que o crédito deixe de cair, à medida que se confirme a recuperação econômica. Afinal, pessoas físicas e jurídicas precisam de empréstimos para tocar seus negócios, investir ou adquirir bens mais valiosos.

As concessões de financiamento para compra da casa própria pelas famílias aumentaram 7,7% entre os primeiros bimestres de 2016 e 2017. Mas a alta vem do atendimento às faixas de menor renda, pois o crédito com recursos das cadernetas ainda é insatisfatório, com queda de 6,9% entre os dois primeiros meses de 2016 e 2017.

O mais provável é que a recuperação do crédito seja lenta: o BC acredita num crescimento nominal de apenas 2% entre 2016 e 2017, lembrando-se que o estoque de crédito havia caído 3,5% entre 2015 e 2016.

A retomada do crédito dependerá da queda do juro básico e da redução das taxas cobradas pelos bancos nos financiamentos. É um enorme desafio, de alcance mais fácil com maior segurança jurídica do crédito.

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