Coluna

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Juros altos e aperto fiscal adiam investimentos

A indicação do governo de novas altas da taxa básica de juros e a decisão de apertar ainda mais o controle dos gastos públicos, por meio da elevação da meta de superávit fiscal, já afetam os planos dos empresários que apostavam numa recuperação mais consistente do mercado interno nos próximos meses. ?Nós vamos concluir os projetos no papel, mas para eles se tornarem realidade ainda vamos esperar mais um pouco para ver a tendência?, diz Roberto Nicolau Jeha, presidente da Indústria de Papel e Papelão São Roberto.Nos últimos meses, a São Roberto estava avaliando um projeto de ampliação da sua fábrica de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte. A decisão de investir foi adiada depois da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ampliou a Selic de 16% para 16,25% ao ano. ?O governo elevou a taxa e ainda avisou que vai aumentá-la mais. Resolvemos pôr as barbas de molho?, diz Jeha.A fabricante de eletroeletrônicos CCE, que pretende construir uma fábrica de televisores para exportação em São Paulo, adiou todos os projetos de novos investimentos. A empresa tem planos ambiciosos que se apóiam em investimentos de US$ 100 milhões nos próximos três anos. ?O horizonte atual não oferece segurança necessária para aumentar a capacidade de produção de eletroeletrônicos de consumo. É melhor parar e esperar um pouco?, justifica Synésio Batista da Costa, vice-presidente da CCE.Na opinião do diretor-geral de consultoria da Trevisan, Luiz Guilherme Piva, ?a puxada nos juros veio exatamente no momento em que a maioria das empresas começava a receber sinais de que a recuperação do mercado interno era consistente?. Mas ele deixa claro que não se trata de nenhum movimento de cancelamento de investimentos ou de recessão. ?Estamos falando apenas do adiamento de parcela dos investimentos, sobretudo de empresas que tinham uma perspectiva de reaquecimento mais forte do mercado interno.?

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