Juros altos e incertezas afetam o Dia das Mães

Tem tudo a ver a pesquisa da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) relativa às taxas de juros cobradas dos clientes em abril e o comportamento do comércio no Dia das Mães, o pior em muitos anos. Não bastassem as dúvidas quanto ao emprego e à renda real, bem como à inflação que corrói o poder aquisitivo, os consumidores arcam com crédito mais contido e caro e prestações mais altas em decorrência dos juros. E o pior é que a tendência de elevação do custo do dinheiro não parece em vias de ser interrompida.

O Estado de S. Paulo

13 Maio 2015 | 03h00

O Dia das Mães é a segunda entre as datas mais importantes para o comércio varejista, superada apenas pelo Natal, e muito acima do Dia da Criança, dos Namorados ou dos Pais. E teve o pior resultado desde 2003, segundo o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio. Entre 4 e 10 de maio, as vendas caíram 2,6% em relação às do mesmo período do ano anterior (5 a 11 de maio de 2014). Ainda mais forte foi a queda entre a sexta-feira e o domingo (-3,9%, comparativamente a 9 a 11 de maio do ano passado).

Na capital, as quedas no mesmo período de comparação foram de 4,9% e de 6%, respectivamente.

Resultados semelhantes foram apresentados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). E a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) calcula que foi o pior Dia das Mães em sete anos, inclusive pela diminuição da média do valor dos presentes.

Em abril, segundo a Anefac, as taxas de juros subiram pelo sétimo mês consecutivo e voltaram ao nível de 2011. Subiram os custos dos empréstimos nas lojas, no cartão de crédito, no cheque especial, nos empréstimos pessoais feitos por bancos e financeiras e no crédito a veículos. Entre março de 2013 e abril de 2015, enquanto a taxa básica de juros aumentou 6 pontos porcentuais, a média de juros cobrada das pessoas físicas subiu 31,5 pontos porcentuais. Com a evolução lenta das rendas, ficou difícil de encaixar as prestações no salário e a inadimplência dos consumidores subiu 5,02% entre abril de 2014 e abril de 2015, segundo a CNDL e o SPC Brasil.

Os números do comércio varejista declinam desde 2013, sugerindo que o segmento caminha para a estagnação. O que se explica, em grande parte, pelo enfraquecimento das vendas de veículos e de bens duráveis, segmentos em que é maior o efeito negativo dos juros em alta.

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