Juros altos inibem investimentos, diz economista da USP

Nas últimas décadas, o Brasil vem alternando surtos de crescimento seguidos de períodos de economia em baixa, em um sobe e desce com um resultado positivo, porém muito modesto para as necessidades e as potencialidades do País. "Nos últimos 20 anos nós tivemos o samba de uma nota só: uma política monetária ativa, os juros contendo o consumo e, vez ou outra o País cresce, vez ou outra ele cai", analisou o economista da Universidade de São Paulo (USP), Nelson Barrizzelli, durante entrevista, ontem, ao programa Conta Corrente, da "Globo News". "Na verdade, se olharmos os últimos 24 anos, nós tivemos um processo mais ou menos de eletrocardiograma", ironizou. Lembrando o período em que a economia brasileira crescia a uma taxa média de 10% ao ano, semelhante ao crescimento chinês nos dias de hoje, o economista da USP ponderou: "O que realmente fazia com que ocorresse esse crescimento era a taxa de investimentos. Nós chegamos a investir 32% do PIB naquela época, diante dos 18% a 22% de hoje", comparou Barrizzelli. Ele diagnosticou que a redução do nível de investimentos ocorreu justamente por causa da alta taxa de juros. "A taxa de juros, no Brasil, acaba influenciando psicologicamente o nível de investimentos. E com certeza esse nível de investimentos é totalmente insuficiente para um crescimento duradouro." Nelson Barrizzelli estima que, com esse nível de investimentos, dificilmente o Brasil vai crescer mais do que 3% ou 4% ao ano. "Quando o presidente da Fiesp disse que, possivelmente, no ano que vem a gente deve crescer menos do que este ano, isso pode ocorrer." Ele frisou que isso pode acontecer porque, com a taxa de juros crescente, haverá uma inibição de investimentos. "E havendo inibição de investimento não há crescimento do PIB", disse Barrizzelli. "Essa política (de juros altos do Banco Central) dos últimos 20 anos não incentiva investimentos", criticou o economista. Mas, Barrizzelli elogiou a política de comércio exterior adotada nos últimos 2 ou 3 anos. "Nós fizemos grandes progressos na questão de exportação. O Brasil tem batido recordes sucessivos e os resultados que nós temos obtido nesse campo são extraordinários", enalteceu. Ao final, fez projeções ainda mais otimistas sobre o futuro das transações do País com o exterior: "Nós vamos continuar crescendo (em exportações), temos um longo caminho a percorrer." Porém, ele é daqueles que acreditam que é necessária uma desvalorização do real, para que esse ciclo positivo de exportações não seja quebrado.

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