Juros ao consumidor ainda são elevados, diz Meirelles

'Mas está caindo como resultado da estabilização da economia brasileira", avalia presidente do BC

Célia Froufe, da Agência Estado ,

17 de dezembro de 2009 | 09h48

A expectativa do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para o mercado de crédito é "bastante positiva", mas ele avaliou que as taxas cobradas ao consumidor ainda são altas. "Não há dúvida de que a taxa de juros no Brasil na ponta é elevada. Já foi muito mais, mas está caindo como resultado da estabilização da economia brasileira", considerou durante entrevista a emissoras de rádio coordenada pela NBR, em Brasília.

 

A tendência, de acordo com Meirelles, é de que essa taxa para o consumidor caia mais. "Podemos assegurar, nos próximos anos, a continuidade desse processo (de baixa), mas (a taxa) ainda está em padrões elevados", disse. Segundo ele, já foi registrada recuperação da oferta em relação ao período da crise financeira internacional.

 

Para o presidente do BC, já há expansão do crédito e o custo dos financiamentos está caindo - o que, segundo ele, é a trajetória correta. "Em termos de volume, está aumentando bastante (a oferta de crédito). Estão bastante saudáveis, fortes, retomando o padrão de normalidade verificado antes da crise."

 

Inflação controlada

 

O presidente do BC disse ainda que o Brasil cumprirá a meta de superávit fiscal de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 e que a inflação, para o mesmo período, mostra-se "estável e dentro da meta" de 4,50%.

Meirelles reafirmou que o BC possui compromisso com a meta de inflação. "Esse compromisso vem sendo cumprido há sete anos e, com isso, temos histórico de credibilidade. Para 2010, a inflação está estável e na meta", assegurou.

Em relação ao PIB, o presidente do BC considerou que a avaliação do resultado de um trimestre, isoladamente, não é o mais recomendável, porque se trata de um dado muito volátil. Ele disse preferir o acompanhamento do resultado da atividade de um país durante um ano inteiro. Ele comentou, porém, que alguns dados referentes ao terceiro trimestre deste ano foram muito importantes, como o que revelou o forte aumento dos investimentos e da atividade da indústria. "(Eles) mostram que a economia vai muito bem", destacou.

Meirelles evitou comentar a colocação, feita por um jornalista, de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, teria se decepcionado com o número do PIB de julho a setembro. "O número foi menor do que alguns esperavam, mas veio bem", limitou-se a dizer. Para o presidente do BC, a expectativa para o nível de emprego nos próximos meses também é "muito boa".

Meirelles salientou que o Brasil está crescendo a taxas que podem ser consideradas elevadas para o padrão de países emergentes. Isso foi possível, segundo ele, mesmo com os efeitos da crise financeira internacional, porque o País fez a lição de casa. Ele citou a estabilidade, a criação de empregos formais, as reservas, os investimentos elevados e a dívida pública decrescente como fatores favoráveis. "A crise atingiu o Brasil duramente, como experimentamos, mas o País enfrentou a crise de forma eficaz. O Brasil é modelo de sucesso no enfrentamento da crise", considerou.

 

Texto atualizado às 11h04

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