Juros ao consumidor devem permanecer estáveis

As taxas de juros para as operações de crédito ao consumidor devem se manter estáveis. De acordo com os analistas do setor, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 26,5 % ao ano, sem viés, não deve provocar grandes alterações no mercado. Os analistas acreditam que, apesar dos sinais de melhora apresentados pela economia brasileira, os juros ao consumidor ainda vão permanecer em patamares elevados até que a inflação seja controlada e o consumo volte a ficar aquecido.O presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Ricardo Malcon, acredita que os juros do crédito ao consumidor devem permanecer estáveis ou apresentar um pequeno recuo. ?As taxas de juros ao consumidor devem ficar no mesmo patamar ou registrar um recuo mínimo. Como existe uma pequena procura por negócios, principalmente no financiamento de veículos, os bancos das montadoras podem fazer pequenas alterações para estimular as vendas?, explica.Este pequeno recuo nos juros ao consumidor no financiamento de veículos zero quilômetro já aconteceu no início de abril, avisa o diretor executivo da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), José Romélio Brasil Ribeiro. De acordo com dados da Anef, a taxa média, que era de 2,83% ao mês em março, passou para 2,78% ao mês em abril. ?Podem ocorrer pequenos recuos na linha de financiamento de veículos zero quilômetro com a manutenção da Selic. Ainda existe um espaço para queda dos juros se o cenário econômico continuar com boas notícias?, afirma.José Romélio avalia que a manutenção da Selic é um sinal claro de que o mercado está apresentando sinais de melhora e que os juros ao consumidor podem cair nos próximos meses. Com relação aos prazos de financiamento, o diretor executivo da Anef acredita que não haverá mudanças. ?Não deve ocorrer nenhuma alteração nos prazos. Os prazos de financiamento de veículos mais comuns no mercado são de 24 e 36 meses?, afirma.Juros altos e inflaçãoO vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, também afirma que as instituições não vão mexer em suas taxas. ?Não acredito em redução de juros. As financeiras não vão alterar os juros ao consumidor com a manutenção da Selic?, aposta. Ele explica que os empréstimos ao consumidor estão em queda porque as instituições estão mais seletivas, com medo dos altos índices de inadimplência. Segundo dados da Anefac, a taxa de juros média do cheque especial chega a 204% ao ano e a do cartão de crédito, a 234% ao ano. O vice-presidente da Anefac afirma que o quadro de juros altos combinado com os altos índices de inadimplência e de desemprego provoca uma queda na demanda por crédito.O sócio-diretor da Patner Consultoria, empresa especializada em análise de crédito, Álvaro Musa, acredita que enquanto o governo não controlar a inflação, os juros ao consumidor não devem registrar queda. ?Aconteceram algumas pequenas reduções nos índices de inflação, mas ela ainda não está controlada. Inflação elevada é o pior cenário para o mercado de crédito porque o mercado vai continuar retraído e os juros altos?, avalia. Na opinião de Álvaro Musa, a manutenção da Selic indica que as financeiras não devem alterar suas taxas atuais. ?Os juros ao consumidor devm permanecer elevados. As taxas só devem começar a cair no segundo semestre, quando as boas notícias do cenário econômico passarem a refletir no mercado de crédito?, explica. Ele destaca que o volume de negócios no mercado é baixo no momento por causa das altas taxas de juros.

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