Juros ao consumidor devem ser mantidos

A decisão do governo de manter pelo segundo mês consecutivo a taxa básica referencial de juros da economia, a Selic, em 18,5% ao ano não deve provocar alteração nas taxas cobradas pelos bancos, financeiras, lojas que vendem a prazo e outras instituições que trabalham sob a influência dos juros.O fraco desempenho da atividade econômica e a desaceleração dos preços livres eram os argumentos dos poucos que apostavam na queda dos juros. Porém, declarações do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, deixaram claro que este não deveria ser o único elemento a ser levado em conta pelo Comitê de Política Monetária (Copom).Na opinião do vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac), Miguel de Oliveira, haveria espaço para redução da Selic se o governo não adotasse uma posição conservadora. ?A economia está desaquecida; a produção industrial, em queda; a renda dos trabalhadores diminuiu; e há retração nos índices de inflação. A redução na taxa de juros poderia reverter esse quadro.?Na mesma linha, Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), afirma que a opção do governo em manter os juros sinaliza que a cautela deve prevalecer no comércio. ?Uma redução, mesmo que pequena, incentivaria as lojas a alongarem os prazos do crediário. Porém, sem alteração da Selic, os juros ao consumidor permanecem os mesmos.?Por outro lado, o presidente da Associação Brasileira de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Ricardo Malcon, acredita que as incertezas em relação às contas públicas com a queda na arrecadação fiscal justificam a manutenção dos juros. ?E, sem queda na Selic, nada se altera para o consumidor.?Para compensar as perdas com o atraso na votação da Contribuição sobre Movimentação Financeira (CPMF), o governo anunciou um aumento na alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A Acrefi defende, segundo Ricardo Malcon, que a medida não se aplique a operações inferiores a R$ 15 mil. ?É uma maneira de minimizar os impactos no poder aquisitivo de menor renda.?Miguel de Oliveira, da Anefac, ressalta que o IOF mais alto em uma economia desaquecida encarece o crédito, inibe investimentos e o consumidor não se endivida. ?Há uma queda na demanda por crédito. E manter as taxas elevadas impede a redução no índice de inadimplência. Não há como pagar as dívidas por causa dos juros altos.?Segundo ele, não haverá alteração nas taxas cobradas na concessão de crédito, como cheque especial, cartão de crédito e empréstimo pessoal. No entanto, sua aposta é de que as lojas reduzam por conta própria os juros a fim de incentivar o consumo. ?Há uma preocupação direta com as vendas por causa da desaceleração da economia.?Já o diretor executivo da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Romélio Brasil Ribeiro, não acredita que haverá uma redução direta nos juros do financiamento, mas ressalta que ainda há margem para que o mercado se adapte e combata a desaceleração da economia. ?É preciso usar a criatividade, o que o mercado já vem fazendo por meio de promoções e prazos mais dilatados.?

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