Juros ao consumidor devem ter reajuste imediato

As taxas de juros para as operações de crédito ao consumidor devem subir. Essa é opinião unânime dos analistas do setor depois da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que elevou a taxa Selic de 25,5% para 26,5% ao ano. Além disso, a alíquota para os depósitos à vista passou de 45% para 60%. Segundo eles, o reajuste nos juros ao consumidor será inevitável e deve atingir todos os setores do crédito.?Esse aumento da taxa vai chegar em um momento ruim. Isso porque, após o Carnaval e as férias escolares, o crédito tende a crescer. O fato é que, com um aumento nas taxas de juros, o consumidor vai evitar financiamentos?, avalia o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Ricardo Malcon. Ele espera uma elevação das taxas em todos os segmentos do crédito ao consumidor. ?No financiamento de veículos novos, o impacto será menor por causa do estoque significativo das montadoras?, alerta. O presidente da Acrefi ressalta que o consumidor de baixa renda será o mais prejudicado. ?O consumidor de baixa renda já está sofrendo com o aumento de produtos da cesta básica. A alta dos juros nos financiamentos e empréstimo pessoal vai apertar mais o orçamento?, explica.O presidente da Acrefi também comenta que o aumento da alíquota do compulsório sobre depósitos à vista de 45% para 60% vai dificultar a oferta de crédito e será mais um motivo para o aumento imediato nas taxas ao consumidor. ?A elevação na alíquota do compulsório foi significativa e com certeza diminuirá a liquidez do mercado. Isso é mais um motivo para uma alteração imediata das taxas de juros ao consumidor. Amanhã já devemos ter novas taxas no mercado?, alerta Ricardo Malcon.O vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, também afirma ser inevitável um aumento nas taxas de juros ao consumidor. ?Nas linhas de crédito direto ao consumidor e financiamento de veículos o aumento deve ser imediato. As taxas promocionais para compra de veículos devem ter os aumentos mais significativos?, destaca. Miguel de Oliveira avalia que os juros do cheque especial e do cartão de crédito não devem sofrer alterações imediatas. ?Os juros destas linhas de crédito já estão muito elevados e não há muito espaço para novos aumentos?, explica. O vice-presidente da Anefac também ressalta que algumas instituições financeiras realizaram alterações em suas taxas, antes do anúncio do Copom. ?Alguns bancos e financeiras haviam reajustados suas taxas com as notícias de nova alta da Selic. Este novo aumento pode retrair um pouco o mercado?, avisa.Reajuste das taxas dificultará crescimentoO consultor Boanerges Ramos Freire, da Partner Consultoria, empresa especializada em serviços financeiros ao consumidor, não acredita em grandes mudanças estruturais no crédito ao consumidor. ?Não existe muito espaço para grandes reajuste nos juros ao consumidor. As taxas já estão muito elevadas?, avalia. Ele ressalta que a demanda por crédito já está baixa exatamente pelas altas taxas praticadas atualmente.A Partner divulgou ontem (veja o link abaixo) um estudo relativo ao mês de janeiro de 2003 que revela que o volume de novas concessões de crédito a pessoas físicas ainda está em queda, mas em ritmo menor. O resultado do estudo, elaborado com base nos dados fornecidos pelo Banco Central, indica que no mês passado, o recuo foi de 5,9% em relação a janeiro de 2002. Em outubro do ano passado, tinha caído 7,6%; em novembro, 6,5%; e em dezembro, 6%, sobre os mesmos meses do ano anterior.Mas, segundo Boanerges, esse sinal de recuperação poderá sofrer uma grande interferência se os juros ao consumidor aumentarem. ?A expectativa para o ano de 2003 é positivo, principalmente no segundo semestre quando as concessões de crédito devem aumentar. Porém, um reajuste nas taxas, que já são elevadas, pode dificultar o crescimento do mercado?, explica o consultor.

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