Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Juros ao consumidor não devem subir

Um cenário econômico bastante incerto até o final do ano e a forte concorrência no mercado de crédito devem contribuir para a manutenção das taxas de juros nos crédito até o final do ano. Já a alta dos juros ao consumidor, prevista após a elevação do compulsório sobre os depósitos à vista e prazo há um mês, não foi verificada. De acordo com o vice-presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Ricardo Malcon, os juros continuaram nos mesmos patamares, mesmo depois da elevação do compulsório, por causa da fraca procura por crédito. Desde setembro, quando foi registrado um desempenho fraco, ele observa que não houve nenhuma melhora no cenário e prevê que os juros permaneçam inalterados até o final do ano. "Não houve reajustes porque o mercado de crédito continua muito fraco, além da concorrência entre as instituições financeiras". A financeira Exprinter e a Serveloj, empresa que administra crediários, prevêem também que os juros permaneçam inalterados. "Não há espaço para quedas nem elevações e esse cenário não deve mudar até o final do ano", afirma o diretor-geral da Exprinter, Leonardo Benvenuto. O diretor-geral da Servloj concorda: "não devem ocorrer reajustes devido à concorrência entre as financeiras e pela atual conjuntura econômica, bastante incerta."O vice-presidente da Acrefi explica que uma das causas da fraca procura por crédito é a atual conjuntura econômica, desfavorável àqueles que pretendem se endividar devido às incertezas, tanto com relação às taxas de juros do mercado quanto à questão do desemprego. Como uma das conseqüências da atual situação econômica, Malcon dá como exemplo o desaquecimento da indústria automobilística. "A maioria das montadoras optaram por dar férias coletivas em virtude do elevado nível dos estoques de automóveis. Poucos estão querendo se endividar no momento e isso está fazendo com que os juros continuem nos mesmos níveis."Volume de crédito e vendasJá Leonardo Benvenuto, o diretor-geral da financeira Exprinter, afirma que o mercado de crédito registrou uma leve recuperação na primeira quinzena de outubro em relação ao mês passado, quando foi registrada uma retração de 30%. "Em setembro, o consumidor ficou mais cauteloso e os bancos, com o aumento do compulsório, também ficaram mais cuidadosos na concessão de crédito. A retração verificada resultou da combinação desses dois fatores. Já em outubro, sentimos uma retomada". Com relação às vendas, o vice-presidente da Acrefi prevê uma leve recuperação no final do ano, com a proximidade do Natal. "Talvez o mercado sinta um aquecimento entre os dias 30 de novembro e 20 de dezembro devido aos recursos do 13º salário, quando os consumidores, com mais dinheiro no bolso, devem ficar tentados a gastar com os presentes de Natal." Já o diretor-geral da Servloj afirma que já durante o mês de outubro, as vendas iniciaram uma recuperação, em torno de 10% acima do que o registrado em setembro.

Agencia Estado,

19 de outubro de 2001 | 16h34

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.