Juros ao consumidor são muito altos

Apesar da queda da taxa básica (Selic) entre março de 1999 a outubro de 2000 (de 45% para 16,5% ao ano) e do repasse de parte dessa redução para o consumidor, as taxas de juros ainda estão em patamares extremamente elevados."Havia uma tendência de queda (dos juros), que foi interrompida no mês passado principalmente por causa da crise da Argentina", explica o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira.Ele acredita também que não é interessante para os agentes financeiros reduzir os juros porque, no Natal, aumenta a demanda pelo crediário, independentemente do desempenho das vendas. Assim, as lojas e instituições financeiras ficariam numa situação confortável e não se sentiriam pressionadas a baixar tanto esses juros. Oliveira prevê que, em dezembro, as taxas devem manter-se iguais às de novembro, de 6,9% ao mês, em média.Alto custo da inadimplênciaOutro fator responsável pelos índices elevados seria o alto custo da inadimplência. "Enquanto a inadimplência não cair, as taxas de juros continuarão nos patamares atuais. Isso só será possível com o aquecimento da economia, que gera empregos e oferece às pessoas maior capacidade de pagamento", avalia o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti.O presidente da Associação também defende a diminuição do depósito compulsório (parte dos depósitos à vista que os bancos devem recolher ao Banco Central) para "injetar dinheiro na praça". Ele acredita que a redução do compulsório aumentaria a oferta de crédito a ponto de permitir um alongamento dos prazos de financiamento. "Mas prazos longos não podem ter taxas de juros exorbitantes", reforça.Taxas de juros para novembroAs pesquisas da Anefac e do Banco Central em relação às taxas de juros para novembro ainda não foram concluídas, mas é possível conhecer as taxas cobradas por algumas redes, que oferecem, inclusive, parcelamentos com juros reduzidos para seus clientes. Na Casas Bahia, há juro de 3% ao mês para financiamentos de oito até dez parcelas.O cartão da rede Carrefour não cobra juros para financiamentos com entrada até três parcelas. No ano passado, dividir o pagamento em quatro vezes (entrada mais três parcelas) significava arcar com juros de 3,6% ao mês. Nos demais prazos de financiamento também houve redução dos juros, como nos casos de entrada mais 12 vezes (6,6% ao mês no ano passado ante os 3,9% ao mês deste ano).Bancos e financeirasEm bancos e financeiras, segundo pesquisa do Banco Central, os juros para a aquisição de bens, que incluem desde a compra de uma roupa até um veículo, foram de 3,31% ao mês em outubro, ante os 3,58% ao mês do mesmo período de 1999.Nas financeiras também houve redução em relação às linhas de crédito para pessoa física. Segundo o gerente-executivo do banco PanAmericano, Francisco Artur, em relação ao cheque especial, por exemplo, os clientes que têm crédito pré-aprovado pagam taxas de juros por volta de 6,5% ao mês, bem abaixo do que os 8,4% ao mês cobrados para não-clientes ( a taxa média mensal de outubro cobrada para o cheque especial, segundo pesquisa da Anefac, foi de 9,43%). As taxas do ano passado cobradas por essa financeira para o mesmo tipo de produto eram de 10,5% ao mês. Na Finivest, a taxa mensal de novembro do ano passado para crédito direto ao consumidor (CDC) era de 7,6%. Este ano, caiu para 6,6% ao mês.Porém, em relação a esse tipo de crédito (CDC), é mais interessante recorrer aos bancos, já que a taxa média registrada na pesquisa feita pela Anefac foi de 3,93% ao mês (dados de outubro).

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