Juros ao consumidor terão queda gradual, diz Setubal

Alfredo Setubal, vice-presidente do Banco Itau e que assumiu ontem a presidência da Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid), afirmou que a queda dos juros ao consumidor, a exemplo da Selic, também terá queda gradual, mas que os empréstimos ao setor privado terão prazo maior, em função da redução do empréstimo compulsório. Entrevistado no programa Conta Corrente, da Globo News, ele reconheceu que há muitas críticas dos clientes aos bancos, em razão dessa redução gradual dos juros, mas que isso está ligado ao comportamento adotado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). E explicou que o nível alto das taxas é reflexo dos riscos que a economia brasileira ainda desperta junto aos investidores.Segundo Alfredo Setubal, o risco Brasil ainda continua no longo prazo, em razão da dependência que o País ainda tem em relação ao capital externo e ao baixo volume de reservas para enfrentar eventuais turbulências no mercado financeiro internacional. Para ele, neste ano, essa dependência será menor, devido aos resultados positivos no balanço de pagamentos, mas que é importante manter o esforço exportador para que os superávits na balança comercial sejam mantidos nos próximos anos.Preservação das regrasO novo presidente da Anbid alertou para a necessidade da preservação das regras, a fim de que o investimento externo volte a fluir com regularidade para o País. Neste sentido, saudou a reafirmação feita pelo presidente Lula nesta segunda-feira em São Paulo (na inauguração da nova fábrica do grupo Votorantim) de que as regras serão mantidas. "Tudo isso é importante para a redução desse risco (Brasil), que o mercado financeiro internacional classifica hoje em torno de 800 pontos acima da taxa do Tesouro americano. Eu acho que tem risco, estamos trabalhando para reduzi-lo, mas é um trabalho de longo prazo."SelicSobre o resultado da reunião de hoje e amanhã do Copom, Alfredo Setubal disse acreditar que o Banco Central vai continuar com sua política de redução gradual da taxa Selic. "O mais importante, neste momento, é que há uma consciência, por parte dos dirigentes do Banco Central, da necessidade da redução da taxa de juros, que em termos reais é muito alta. Se ela vai cair 1,5% ou 2%, eu acho um discussão relativamente irrevelante. O importante é que a taxa vai continuar caindo. Deve, na minha opinião pessoal, cair em torno de 1,5%, quem sabe 2%, e vamos chegar no fim do ano com uma taxa Selic entre 18% e 20%. Isso já permitirá, para muitos trabalhadores, voltar ao mercado de crédito, porque esse nível de taxa já vai permitir, dentro da renda que ele tem, ter novamente o crédito ao consumidor."

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