Juros bancários voltaram ao nível de janeiro, diz BC

O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Altamir Lopes, disse hoje que a taxa de juros dos empréstimos bancários já voltaram a um nível semelhante ao cobrado em janeiro. "Estamos voltando para um patamar semelhante ao de antes da crise do ano passado", disse, ao informar que os juros dos empréstimos em julho estavam em 54,9% ao ano , contra os 54,2% de janeiro. Nas operações com pessoas físicas, os juros já estão num nível mais próximo dos 79,3% ao ano de outubro do ano passado. "Estamos em julho com juros de 77,9%", disse. Nos empréstimos às pessoas jurídicas, as taxas ainda continuam em 37,7% no mês passado. Em janeiro deste ano, os juros pagos pelas empresas estavam em 34,8% ao ano. Aumento de crédito depende de recuperação econômica A redução dos recolhimentos compulsórios sobre depósitos à vista só deverá surtir os efeitos desejados pelo governo caso a demanda por crédito no País aumente. Na avaliação de Altamir Lopes, o quadro geral do crédito no Brasil ainda é marcado por uma demanda por financiamentos retraída. "O movimento que tivemos em julho foi de queda das taxas de juros, mas que não foram acompanhadas por um aumento no volume das operações de crédito", resumiu Lopes. Quando o Banco Central reduziu, no final do mês passado, os compulsórios sobre depósitos à vista de 60% para 45%, a expectativa era de aumentar o volume de recursos disponíveis para crédito no País. Entretanto, isso só irá acontecer caso haja uma recuperação da demanda. Por enquanto, o que se percebe é que os bancos têm direcionado seus recursos disponíveis para operações com títulos públicos, sejam as emissões primárias do Tesouro Nacional ou as operações compromissadas do Banco Central.Para o chefe do Depec, a redução dos compulsórios poderá ajudar a retomada das operações de crédito no País. "Teremos mais disponibilidade de recursos", explica Lopes, ao lembrar que a medida vai liberar às tesourarias dos bancos cerca de R$ 8 bilhões. Outro efeito positivo da queda dos compulsórios é a redução das taxas de juros das operações de financiamento. Para o chefe do Depec, os efeitos da medida adotada pelo BC no final de julho só poderão ser medidos a partir do fechamento dos dados sobre operações de crédito de agosto. "Sentiremos em parte no mês de agosto e plenamente em setembro", avisa Lopes. Se não houver um aumento na demanda por crédito, o recurso liberado com a queda do compulsório deverá ser enxugado por meio das operações com títulos públicos, ressalta o chefe do Depec. O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, acredita que a retomada da atividade econômica passará por um aumento na demanda por crédito. "É preciso ter uma retomada do crédito para fomentar o consumo. Esse é um dos elementos (para a retomada do crescimento econômico)", avaliou Lopes. Apesar da baixa demanda por crédito, verificada pelo próprio Banco Central, Lopes destacou que já existem sinais de que haverá um aumento nos gastos das famílias brasileiras no final deste ano. "As expectativas de médio prazo são positivas. O índice de intenção de consumo das famílias está relativamente alto", destacou Lopes.

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