Juros caem em dezembro mas bancos ainda elevam spread

Taxa para a pessoa física tem redução e vai a 58% no último mês do ano; spread é o maior desde agosto de 2003

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

27 de janeiro de 2009 | 11h13

As taxas de juros do crédito no País caíram em dezembro, após as altas registradas com o agravamento da crise financeira mundial. Apesar disso, os bancos continuaram a aumentar o spread - diferença entre o que as instituições pagam na captação do dinheiro e o que cobram dos consumidores. Essa taxa atingiu 30,6 pontos porcentuais em dezembro, o nível mais alto desde agosto de 2003.   Veja também: Operações de crédito no País crescem 31,1% em 2008 Inadimplência da pessoa física é a maior desde 2002 Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    Segundo o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, a alta no spread bancário decorre do aumento da aversão ao risco dos bancos. "As instituições estão se colocando de forma conservadora, com temor diante do risco de inadimplência", disse Altamir.   O spread para pessoa física em dezembro ficou em 45,1 pontos porcentuais, o maior desde setembro de 2004. Nesse grupo, o cheque especial, com 162,5 pontos, foi o mais alto da série e a taxa final dessa operação, que é a mais cara do sistema financeiro, foi a mais elevada desde junho de 2003. Já o spread para pessoa jurídica ficou estável em 18,3 pp em dezembro, ainda assim o mais alto da série do BC. Em dezembro de 2007, o spread médio para as empresas era de 11,9 pp.   Captação   Os números do Banco Central mostram que o aumento do spread bancário nos últimos meses acabou anulando completamente a queda do custo de captação e as medidas de incentivo ao crédito anunciadas pelo governo para amenizar os efeitos da crise, como a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a liberação de alíquotas do depósito compulsório.   A taxa geral de captação dos empréstimos - que é o quanto o banco paga para captar o dinheiro no mercado - tem caído nos últimos meses. No quarto trimestre de 2008, entre setembro e dezembro, esse valor cedeu 1,4 ponto, para 12,6 pontos. A redução ocorreu principalmente em dezembro, quando os juros futuros começaram a recuar com a expectativa de corte da taxa Selic.   Além disso, o custo para os bancos também diminuiu como consequência dos seguidos anúncios de queda do depósito compulsório desde setembro. Também houve diminuição pela metade da alíquota do IOF cobrada das pessoas físicas nos empréstimos, de 3% para 1,5%. Juntos, esses fatos diminuem o custo dos bancos para realizar um financiamento.Mas essa redução de custos não foi repassada aos clientes.   No trimestre, a taxa média de juro subiu 2,8 pontos, para 43,2% ao ano. Essa alta do juro é explicada pelo aumento do spread, que subiu 2 pontos de novembro para dezembro, para 45,1 pontos. Altamir Lopes diz que bancos podem ter elevado o spread para cobrir eventuais prejuízos futuros que podem ser gerados por um eventual aumento da inadimplência. Ele observa, no entanto, que o aumento foi expressivo. "Não sei se isso (aumento do risco) seria suficiente para elevar o spread nessa magnitude", disse.   Queda nos juros   O juro do crédito com recursos livres recuou em dezembro para 43,2% ao ano, de 44% em novembro, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira, 27, pelo Banco Central. Em dezembro de 2007, essa taxa média era de 33,8% ao ano. A taxa de juros para pessoa jurídica recuou de 31,3% em novembro para 30,7% em dezembro. Em dezembro de 2007, a taxa para esse grupo era de 22,9% anual.   Para pessoa física, a taxa de juros teve queda de 58,2% para 58% de novembro para dezembro. Em dezembro de 2007, a taxa de juros para pessoa física estava em 43,9% para pessoa física.

Tudo o que sabemos sobre:
CréditoJurosCrise Financeira

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.