Juros continuam em queda, mas calote resiste e há 4 meses não cai

Volume de empréstimos tomados em outubro aumentou; a média diária de financiamentos subiu 1,6% ante setembro

EDUARDO CUCOLO, CÉLIA FROUFE/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 23h54

As famílias brasileiras ampliaram o volume de empréstimos tomados em outubro, período em que os juros registraram novas mínimas históricas.

O recuo esperado pelo governo na inadimplência das operações de crédito, entretanto, ainda não veio.

De acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central, a média diária de financiamentos para pessoas físicas cresceu no mês passado 1,6% em relação ao registrado em setembro, puxada pelas operações de crédito pessoal e para compra de veículos. O custo médio dos empréstimos ao consumo voltou a cair, depois da alta de setembro, para 35,4% ao ano, nova mínima histórica. A inadimplência nas operações para pessoas físicas, no entanto, ficou em 7,9% pelo quarto mês seguido.

A redução dos juros é explicada pelo corte da taxa básica e pela redução das margens dos bancos, que também estão no menor nível histórico. Além disso, segundo o BC, muitos consumidores saíram de linhas mais caras, como cheque especial e cartão de crédito, e trocaram essas dívidas por empréstimos mais baratos, como o do crédito pessoal.

O problema é que o volume de calote nas linhas com juros menores não caiu. "A alta na inadimplência no crédito pessoal restringiu a queda da taxa geral", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel.

Seletividade. Os bancos também têm sido seletivos na renegociação de dívidas em atraso, outro fator que explica a demora na queda desse indicador, segundo Maciel, que disse acreditar ainda em uma redução da inadimplência até o fim deste ano. "A redução nas concessões de linhas mais caras deve contribuir para melhorar esses indicadores futuramente." Os dados do BC mostraram também que o saldo total das dívidas de consumidores e empresas alcançou R$ 2,27 trilhões em outubro, o que representa 51,9% do Produto Interno Bruto (PIB), dois números recordes.

O crescimento em 12 meses, de 16,6%, representa uma aceleração em relação à redução no ritmo do crédito verificada nos quatro meses anteriores.

Para o governo, a evolução do crédito permanece sendo determinada pela demanda das famílias, em cenário de retomada do nível de atividade no último trimestre, declínio dos juros e estabilidade da inadimplência.

Concessões em queda. Já as concessões de crédito para empresas caíram 2,6% no mês passado e apresentam, no ano, desempenho mais fraco do que os empréstimos ao consumo.

Considerando os empréstimos concedidos para as empresas, a taxa média de juros caiu para 29,3% ao ano, a menor das estatísticas do BC. Foi o oitavo mês consecutivo de queda. A inadimplência geral ficou, pelo quarto mês seguido, em 5,9%.

Os bancos públicos continuam liderando a liberação de crédito. Nos 12 meses encerrados em outubro, o aumento dos empréstimos nessas instituições foi de 28,4%, ante 6,3% nos bancos privados nacionais e 11,6% nos estrangeiros que atuam no País.

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