Juros continuarão em queda, diz Mantega

O novo ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu nesta terça-feira que os juros continuarão em sua trajetória de queda. Embora tenha sido crítico à política de juros do governo, ele disse que não mudou de convicção em relação à postura econômica ao assumir a pasta.Mantega tomará posse às 15 horas no Palácio do Planalto. Em entrevista concedida na manhã desta terça-feira ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, o ministro, garantiu que tem trabalhado "em sintonia" com a política de Antônio Palocci."Tenho trabalhado esses três anos em sintonia com o ministro Palocci, outros ministros, com o presidente da República e ajudei a construir a política que está sendo praticada no País hoje: a política de responsabilidade fiscal, a política de combate à inflação e sobretudo a política de desenvolvimento. O País hoje já está rumando para um crescimento maior, para a criação de empregos, para uma atividade econômica mais robusta e é isso que todos nós queremos", disse. "Se você perguntar para um homem comum, ele não vai querer saber qual é a política fiscal, monetária, cambial etc. Ele quer saber se o País vai crescer, vai se desenvolver, se nós estamos criando os empregos que são necessários para a sociedade? O Brasil vai ser um país de futuro, vai crescer 4%, 5% ao ano? E eu te digo sim, nós estamos nesse caminho e este caminho foi pavimentado com a política econômica que foi praticada ao longo desses três anos e teve evidentemente uma forte participação do ministro Palocci e de outros ministros do governo", acrescentou.Câmbio"Com a redução das taxas de juros, nós vamos ter uma melhora, porque taxas de juros muito elevadas atraem também capital especulativo, capital que vem se apropriar dessa diferenciação, dessa arbitragem entre as taxas que o Real remunera e que o dólar remunera. Então, nós estamos caminhando para um patamar melhor. As taxas de juros caindo, as importações aumentando", explicou o ministro. Mantega afirmou que, embora haja uma unanimidade no País de que os juros devem ser mais baixos, o governo não pode "afrouxar" no combate à inflação. "Isso é sagrado. Porque a inflação prejudica fundamentalmente o trabalhador que tem o seu poder de compra corroído. E uma das virtudes que nós temos na economia hoje, sem inflação, é que o salário real do trabalhador está subindo, o poder de compra está subindo", explicou.O novo ministro ressaltou que respeitará a autonomia do Banco Central, que lhe foi dada pelo presidente Lula, na definição das taxas de juros. "Evidentemente vamos dialogar, mas o Banco Central já está fazendo a lição de casa. Ele já está reduzindo os juros. A inflação está sob controle, não há nada que impeça a queda da taxa de juros", afirmou.Para ele, assim como as exportações são importantes, as importações também têm seu papel no comércio exterior, e, portanto, também devem aumentar."O que é bom para o País não é só exportações muito elevadas; é ter também importações elevadas, é ter um equilíbrio maior. Aumentar o comércio internacional é importante. E isso está acontecendo", disse o ministro.GastosMantega disse ainda que continuará defendendo um Estado eficiente, apostando na política social. "Sempre disse que o mercado não consegue defender todos os problemas da economia e da sociedade. Por exemplo, é difícil resolver o problema de concentração de renda. E o Brasil é campeão de concentração de renda. Era, porque já está diminuindo essa concentração. Então você precisa ter programas sociais, o Estado tem que ajudar a fazer política industrial. É claro que nós temos que nos atualizar, ver qual é o cenário que nós nos encontramos, e ter um Estado agindo de acordo com essas necessidades." Este texto foi atualizado às 10h01.

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