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Juros da dívida da Espanha superam 6%

Rendimento reflete maior desconfiança sobre a capacidade de pagamento do país

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h08

Os títulos da dívida soberana da Espanha superaram ontem a barreira simbólica de 6% para obrigações com validade de 10 anos, atingindo o mais alto nível desde o fim de 2011. Na sexta-feira, o rendimento dos papéis era cotado a 5,9%. Dentro de três dias, Madri deverá retornar ao mercado para se refinanciar, oferecendo títulos com maturidade até 2014 e 2022, o que motivou instabilidade nos mercados financeiros da Europa.

No fim da manhã, os papéis emitidos pela Espanha e com validade de uma década atingiram 6,015%, ante 5,960% registrado no fechamento dos mercados no fim da semana passada. A nova taxa é o recorde em seis meses e estabelece um patamar considerado difícil de ser sustentado pelo governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy. Com juros superiores a 6%, Grécia, Irlanda e Portugal foram obrigados a solicitar pacotes de resgate à União Europeia para evitar o default.

O patamar também preocupa porque na quinta-feira a Espanha terá de voltar aos mercados de dívidas soberanas para se refinanciar. O valor ainda não foi anunciado pelo Tesouro, mas ainda restam cerca de € 43 bilhões de um total de € 86 bilhões em títulos a serem substituídos em 2012. Em 4 de abril, o governo de Rajoy já havia sido obrigado a pagar juros mais altos - como também aconteceu com a Itália, que vem pagando rendimentos da ordem de 5,6%, ante 4,8% no mês anterior.

A inquietude, que já era grande, cresceu na sexta-feira, quando o Banco Central Europeu (BCE) informou que havia emprestado aos bancos espanhóis € 316,3 bilhões, um valor recorde. O montante levantou novas dúvidas entre investidores sobre se o sistema financeiro do país tem condições de resistir à crise sem o auxílio do BCE ou de Bruxelas. Em nota, a autoridade monetária teve de desmentir ontem que tinha voltado a comprar títulos da dívida soberana dos países em crise - uma política usada entre 2010 e 2011 e que resultou no acúmulo de € 214 bilhões em obrigações de alto risco encalhadas nos cofres da instituição.

Comunidades. Em meio às evidências de contágio da crise pela Espanha, a atenção dos investidores vem se voltando às "comunidades autônomas" do país, que têm independência fiscal e já não conseguem se refinanciar nos mercados por causa dos juros elevados.

Segundo o jornal britânico Financial Times, o governo de Rajoy pode até ser obrigado a intervir nas contas de comunidades como a Andaluzia. Isso ocorreria porque quatro das regiões espanholas - Catalunha, Canárias, País Basco e Andaluzia - se recusam a realizar os cortes de € 10 bilhões no orçamento da Saúde e da Educação.

Ontem, o ministro da Economia, Luis de Guindos, jogou a culpa pela incerteza nos mercados financeiros às "dúvidas fundamentais" causadas pela atitude das comunidades autônomas. "As comunidades devem preencher seus objetivos de redução do déficit, porque dois terços do déficit de 2011 na Espanha são de suas responsabilidades", disse.

A Espanha fixou acordo com Bruxelas para reduzir seu déficit de 8,51% em 2011 - a meta era de 6% - a 5,3% em 2012. Do total do buraco espanhol, 2,94% do déficit é criado pelas comunidades autônomas, que extrapolaram o objetivo fixado no ano passado, de 1,3%. Em meio à instabilidade, o índice Ibex 35, da bolsa de valores de Madri, fechou em baixa de 0,57%, na contramão dos maiores mercados europeus.

BCE. O Banco Central Europeu (BCE) colocou seu programa de compra de títulos de novo em hibernação na semana passada, dissipando qualquer ideia de que a incursão anterior do banco no mercado de títulos, com 27 milhões, poderia levar a uma retomada de compras mais sustentadas. Essa é a quarta vez em cinco semanas que o BCE não compra nada em seu "Programa de Mercados de Títulos" (SMP, na sigla em inglês), o controverso plano de compras de títulos que adotou apesar da inquietação interna em 2010, e mantém seu valor total em 218 bilhões.

O apetite por mais compras significativas de títulos no momento é claramente limitado no BCE. O uso do programa tem sido cada vez mais esporádico desde o início do ano, superado em importância como ferramenta de combate à crise no BCE por suas enormes injeções de financiamentos ultrabaratos, de três anos, que colocaram mais de 1 trilhão no sistema bancário da zona do euro.

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