Juros de 17,5% ao ano surpreendem

Os analistas esperavam que o Copom fosse mais conservador, mantendo a taxa e adotando apenas a tendência de baixa. Isso permitiria ao Banco Central (BC) acompanhar os desdobramentos das reuniões do banco central norte-americano (FED), e dos países produtores de petróleo (Opep). O viés de baixa permite agora ao presidente do BC, Armínio Fraga, reduzir a taxa antes da próxima reunião do Copom, marcada para o próximo mês, reforçando a tendência de queda dos juros. A taxa de 17,5% ao ano era esperada apenas para o final deste ano por bancos e analistas. A redução mais drástica dos juros deverá derrubar as taxas reais da economia, ou seja, a parcela de juros que supera a inflação. Dentro do ritmo de queda das taxas, e das previsões de inflação, os analistas esperam que até o final do ano os juros reais ainda estejam acima de 10%. Para 2001, admitem ser possível chegar à taxa real de 7% como já previu o BC. Juros americanos podem segurar as taxas no Brasil Os analistas também consideram que, para as taxas de juros caírem mais até o final do ano será necessário o Brasil manter um cenário econômico estável. Ou seja, sem novos sustos como os que ocorreram neste primeiro semestre, com as taxas americanas subindo rapidamente e os preços do petróleo batendo recordes. Na avaliação do economista-chefe do Citibank, Carlos Kawall, no segundo semestre o fator limitante para a queda de juros no Brasil continuará sendo a taxa de juros nos Estados Unidos. Kawall espera que o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) feche o ano com uma variação acumulada de 6,5%. Ao mesmo tempo, prevê que o FED ainda faça mais dois aumentos de 0,5 ponto porcentual nos juros até dezembro.Para o economista Luiz Rabí, do BicBanco, comcorda que ainda não será este ano que o Brasil terá juros reais de um dígito. Isso porque a queda das taxas nominais teria que ser muito forte até junho de 2001. Ele calculou que, considerando uma taxa nominal de 16% e um IPCA médio de 5% para os próximos 12 meses, seria necessário estar com taxas nominais entre 11,5% e 12% em junho do próximo ano para se chegar à taxa média de 15% no final deste ano e vislumbrar os juros reais de um dígito.

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