Juros de bancos caem pelo 5º mês seguido

Segundo o Procon, as quedas das taxas de cheque especial e de empréstimo pessoal acompanharam a redução recente da Selic

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2009 | 00h00

Pelo quinto mês consecutivo, as taxas médias de juros cobradas do consumidor tanto no empréstimo pessoal como no cheque especial recuaram, acompanhando a sinalização dada nos últimos meses pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para a taxa básica de juros, a Selic. Desde 2004, não havia um período com tantos meses seguidos de redução de taxas, segundo a Fundação Procon de São Paulo.Pesquisa do Procon feita com dez instituições financeiras revela que a taxa média no empréstimo pessoal está hoje em 5,57% ao mês contra 5,74% em abril. Em dezembro de 2008, o juro médio do empréstimo pessoal estava em 6,01% ao mês. O recuo acumulado desde de dezembro último até hoje é de 0,68 ponto porcentual.O quadro se repete, só que com menor intensidade, no cheque especial. De acordo com a pesquisa da Fundação Procon-SP, o juro do cheque especial é de 8,89% ao mês, taxa 0,14 ponto porcentual menor do que a de abril. Na comparação com dezembro de 2008, a queda foi de 0,44 ponto porcentual."Os bancos estão acompanhando a tendência sinalizada pelo Copom, mas com uma redução menos que proporcional", afirma a supervisora de pesquisas da Fundação Procon-SP, Cristina Rafael Martinussi. Na última reunião do Copom, a taxa Selic foi reduzida em um ponto porcentual, de 11,25% para 10,25% ao ano. No caso dos juros do empréstimo pessoal e do cheque especial, os cortes foram de 0,17 e 0,14 ponto porcentual, respectivamente. Entre os fatores que provocam esse descompasso entre a queda da taxa básica e os juros ao consumidor, ela aponta a inadimplência e o spread bancário, isto é, a diferença entre a taxa de captação dos recursos e a taxa final cobrada nos empréstimos. Cristina argumenta que objetivo do corte dos juros básicos por, parte do BC, e das taxas ao consumidor, por parte dos bancos, é estimular o consumo, diante da desaceleração do ritmo de atividade que dominou a economia desde o fim do ano passado, provocada pela crise financeira internacional.Dos dez bancos pesquisados pela Fundação Procon-SP, oito reduziram os juros do empréstimo pessoal e dois mantiveram as taxas no mês passado. Na lista das instituições que cortaram os juros neste mês estão os bancos Safra, Nossa Caixa, Santander, Real, Itaú, Bradesco, HSBC e o Banco do Brasil (BB). BANCO DO BRASILNo caso do BB, a queda dos juros no empréstimo pessoal foi irrisória. A taxa estava em 4,60% ao mês em abril e caiu para 4,58% em maio. A redução de 0,02 ponto porcentual só perde para o corte feito pelo HSBC, que foi de 0,01 ponto porcentual no mesmo período. Mas, no caso do cheque especial, o BB está entre os três bancos que não cortaram os juros no mês passado.Esta semana o BB esteve no centro do debate por ter elevado os juros, segundo pesquisa do BC, apesar da troca de presidente. Aldemir Bedine tomou posse no dia 23 do mês passado em substituição a Antonio Lima Neto. Na ocasião, fontes do Ministério da Fazenda disseram que a troca atendia ao objetivo do governo de forçar a queda dos juros no BB, o que não estava ocorrendo com a velocidade desejada na gestão anterior.Apesar do corte nos juros médios do empréstimo pessoal e do cheque especial, Cristina, da Fundação Procon-SP, pondera que as taxas ao consumidor ainda são altas. No empréstimo pessoal, os juros estão em 91,68% ao ano e, no cheque especial, em 177,94%.

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