Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Juros de cheque especial e rotativo registram queda em abril

Juro médio do cheque especial cedeu 3,7 pontos porcentuais em abril, para 321% ao ano; taxa do rotativo total cedeu 2,9 pontos porcentuais, para 331,6%

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

28 Maio 2018 | 18h13

BRASÍLIA - Na esteira do processo de baixa da Selic, as taxas de juros cobradas do consumidor final voltaram a cair em abril. Dados divulgados nesta segunda-feira, 28, pelo Banco Central mostram que a taxa média de juros no crédito livre – que não utiliza recursos da poupança e do BNDES – caiu 0,4 ponto porcentual, para 41% ao ano. Em setembro de 2016, antes de a Selic começar a cair, a média cobrada era de 53,3% ao ano.

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Os números de abril também mostraram a continuidade do processo de queda dos spreads – a diferença entre o custo dos bancos e o que é efetivamente cobrado de pessoas físicas e empresas. O spread nas operações de crédito livre no mês passado cedeu 0,4 ponto porcentual, para 33,3 pontos porcentuais. Em setembro de 2016, ele era de 41,1 pontos porcentuais.

De acordo com o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, a queda das taxas de juros e dos spreads em abril é um movimento esperado, devido ao ciclo de redução na taxa Selic, que passou de 14,25% em setembro de 2016 para 6,50% ao ano agora. “A tendência de redução é bastante nítida”, comentou, durante apresentação dos números.

Rocha defendeu ainda que a evolução do crédito no mês passado foi “bastante favorável”. Segundo ele, o crescimento do estoque de crédito total – livre e direcionado, que utiliza recursos da poupança e do BNDES – em 12 meses até abril ratifica o aumento que já havia sido verificado em março deste ano. “O estoque de crédito vinha em queda desde meados de 2016, e voltou a subir em março”, pontuou. Em abril, o estoque do crédito total avançou 0,3%, para R$ 3,090 trilhões. “Essa trajetória era esperada, e a perspectiva é de que o crédito continue em crescimento nos próximos meses”, completou Rocha.

O chefe do Departamento de Estatísticas evitou, no entanto, tratar de possíveis impactos da greve dos caminhoneiros sobre o processo de recuperação do crédito no País. De acordo com Rocha, os acontecimentos mais recentes e seus efeitos sobre o crédito precisarão ser avaliados mais à frente.

Cartão. A baixa dos juros em abril também foi percebida em duas das linhas de crédito mais caras do mercado, o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito. Ainda assim, essas modalidades seguem com custos superiores a 300% ao ano.

O juro médio do cheque especial cedeu 3,7 pontos porcentuais em abril, para 321,0% ao ano, enquanto a taxa do rotativo total cedeu 2,9 pontos porcentuais, para 331,6% ao ano. Na prática, isso significa que uma dívida de R$ 5.000 transforma-se em um compromisso de R$ 5.635 no cheque após um mês e de R$ 5.650 no rotativo. No caso específico do chamado rotativo regular, que inclui operações em que o cliente faz pelo menos o pagamento mínimo da fatura do cartão, a taxa de juros caiu 4,8 pontos porcentuais em abril, para 238,7% ao ano.

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