Juros deixam de ser principal preocupação de empresários

As elevadas taxas de juros perderam importância no ranking dos principais problemas enfrentados pela indústria, mas isso não foi suficiente para melhorar as expectativas do setor para o primeiro semestre de 2007. É o que mostra a Sondagem Industrial do quarto trimestre de 2006, divulgada nesta quarta-feira, 31, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).Apesar dos sinais de recuperação da atividade industrial e das melhores condições da economia, as expectativas dos empresários para o início deste ano são similares às verificadas no começo de 2006."Na medida em que a economia não consegue manter o crescimento por dois anos, gera essa cautela em termos de perspectiva. Ou seja, teria que esperar sinais muito mais fortes de crescimento para que esta expectativa de crescimento aumente significativamente os investimentos e, aí sim, a economia volte a crescer mais forte", avaliou o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca.A pesquisa foi encerrada no dia 19 de dezembro, antes do anúncio pelo governo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A CNI ainda está coletando informações para saber se as medidas do governo alteraram as expectativas dos industriais apontadas na Sondagem.EstoquesUma boa notícia, na avaliação da CNI, é que os níveis dos estoques se ajustaram ao planejado no último trimestre do ano. Isso significa que o crescimento do consumo no mercado interno deverá beneficiar as indústrias numa intensidade maior do que a ocorrida anteriormente. "Mantendo o ritmo de recuperação da demanda, o efeito na produção será maior por causa desse ajuste no estoque", previu Fonseca.A utilização da capacidade instalada das fábricas encerrou o ano passado em 75%, o mesmo nível de dezembro de 2005. O economista ressaltou, no entanto, que a demanda irá continuar crescendo em um ritmo maior que a produção por causa da concorrência dos produtos importados favorecidos pelo real valorizado em relação ao dólar.Para as grandes empresas, na maioria exportadora, a taxa de câmbio é o segundo maior problema enfrentado. Na Sondagem Industrial, subiu de 46% no quarto trimestre de 2005 para 49% o porcentual de empresas que assinalaram este item. A alta carga tributária continua liderando o ranking dos principais entraves ao crescimento do setor. Por outro lado, as elevadas taxas de juros caíram uma posição e ficaram em terceiro lugar na lista entre as pequenas e médias empresas. Já entre as grandes, perdeu duas posições e situou-se em quarto lugar. Para Fonseca, o resultado da pesquisa reflete a queda da taxa básica de juros (Selic), pelo Banco Central, ao longo de todo o ano passado.EmpréstimosApesar da taxa de câmbio desfavorável aos exportadores brasileiros, a Sondagem mostra que os empresários estão mais otimistas do que no terceiro trimestre de 2006 em relação ao aumento das vendas ao exterior nos próximos seis meses. Pela primeira vez desde abril de 2005, o indicador ficou positivo.O documento também mostra uma leve piora no indicador de produção do quarto trimestre em relação ao terceiro trimestre, embora o índice se mantenha positivo. Pela primeira vez na história da Sondagem Industrial, o indicador de produção das pequenas e médias empresas foi maior que o relativo às grandes empresas. O indicador que mede a produção industrial das pequenas e médias empresas subiu de 51,4 pontos no terceiro trimestre para 53,2 pontos no último trimestre enquanto que o das grandes empresas ficou em 52 pontos.

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