Juros devem subir com aumento do compulsório

O aumento da alíquota do compulsório sobre os depósitos a prazo - principalmente aplicações em Certificado de Depósito Bancário (CDB) e outros títulos - de zero para 10% e a mudança de regras para recolhimento do compulsório sobre os depósitos à vista, cuja alíquota é de 45%, devem levar a um aumento na taxa de juros, de acordo com vice-presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Ricardo Malcom. "Até ontem, diria que não, mas agora a taxa de juros deverá subir, já que estas medidas tiram dinheiro do mercado." Ainda segundo Malcom, os juros não devem aumentar muito graças a um cenário em que a demanda mantém-se reprimida, embora a perspectiva seja de volumes de crédito cada vez menores. Apesar da certeza de elevação dos juros, ele afirma que não é possível arriscar em que medida isso ocorrerá. "Isto seria especular demais. Há muitas variáveis que não conhecemos, como as incertezas em relação ao contra-ataque norte-americano. Portanto, não sabemos até que ponto este fator impedirá os investimentos."Também para o diretor de Produtos de Crédito e Serviços do Citibank, Luis Henrique Godeghesi, existe a perspectiva de alta dos juros devido ao aumento do compulsório e a instabilidade do mercado que, segundo ele, deve manter-se por mais três meses. Os juros no empréstimo pessoal do Citibank estão em 4,20% ao mês. "Mas as taxas já vinham subindo em todo o mercado em função das perspectivas futuras de inflação, possível aumento do compulsório e instabilidade no cenário internacional." Segundo ele, por enquanto, não houve nenhuma alteração no banco em relação a prazos, exigências e garantias. Aumento pode acontecer nos próximos dois mesesPor outro lado, o diretor-geral da financeira Exprinter, Leonardo Benvenuto, acredita que não haverá alta dos juros do crédito pessoal no curto prazo. No entanto, ele prevê um aumento nos próximos dois meses se a inadimplência aumentar, além dos 14% registrados na Exprinter, e se a volatilidade do mercado se acentuar ainda mais. Porém, segundo ele, a redução das linhas de crédito já vinha acontecendo diante das incertezas do cenário. "Imaginávamos ao final do ano passado que a Selic chegaria a 12% e hoje vemos que alcançou os 19%." Ele afirma que algumas alterações no crédito já ocorreram em junho. "Houve redução nos prazos de 24 para 15 meses e no comprometimento de renda de 30% para 25%."

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